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Qual o maior dinossauro que já existiu? Saiba o que paleontólogos dizem sobre o tema

Definir qual foi o maior dinossauro que habitou a Terra não é uma tarefa simples, mas há alguns candidatos a esse título

Argentinosaurus em ilustração - Crédito: Getty Images

Alguns dinossauros impressionavam por seus chifres, outros por suas garras ou mandíbulas poderosas. O Nagatitan, descoberto recentemente na Tailândia, era imenso, o maior já encontrado no país asiático. Embora os fósseis recuperados representem apenas uma pequena parte de seu esqueleto, os pesquisadores estimam que esse titanossauro pudesse ultrapassar 27 metros de comprimento e pesar quase 30 toneladas. É preciso dizer, porém, que essas medidas são apenas estimativas. Como acontece com muitos dos maiores dinossauros já descobertos, o Nagatitan é conhecido por restos incompletos, o que torna difícil determinar com exatidão seu tamanho real.

Essa dificuldade acompanha a paleontologia há décadas. Quando se fala nos maiores animais terrestres que já existiram, os saurópodes, dinossauros herbívoros de pescoço e cauda longos que caminhavam sobre quatro patas, dominam a disputa. No entanto, definir qual deles foi o verdadeiro gigante supremo está longe de ser uma tarefa simples.

Uma longa disputa

No início do século 20, quando o dinossauro Brachiosaurus foi descrito, muitos acreditavam que ele representava o maior animal terrestre de todos os tempos. Porém, com o passar dos anos, novas descobertas pareciam derrubar esse recorde repetidamente. Durante as décadas finais do século passado, nomes como Ultrasaurus, Seismosaurus e Supersaurus foram anunciados como candidatos a maiores dinossauros conhecidos. Mais tarde, análises mais cuidadosas mostraram que algumas dessas estimativas haviam sido exageradas ou baseadas em interpretações equivocadas.

Nas últimas décadas, a disputa passou a envolver gigantes sul-americanos como Argentinosaurus, Futalognkosaurus e Patagotitan. Todos eles figuram entre os maiores animais terrestres já identificados. O problema, como destaca uma matéria da revista Smithsonian, é que nenhum deles foi encontrado com um esqueleto completo. Faltam vértebras, partes dos membros, segmentos da cauda ou outros ossos essenciais para uma reconstrução definitiva.

Essa ausência de fósseis completos cria desafios enormes. No caso do Patagotitan, por exemplo, algumas vértebras cervicais chegam a medir mais de um metro de comprimento. Contudo, os cientistas não sabem exatamente quantas vértebras formavam seu pescoço. Uma única vértebra a mais ou a menos pode alterar significativamente as projeções sobre o comprimento total do animal.

Por isso, os paleontólogos dependem de métodos indiretos para calcular tamanho e peso. Um dos mais utilizados se baseia na relação entre a espessura dos ossos dos membros e a massa corporal. Entre animais modernos, existe uma correlação consistente: quanto mais pesado é um animal, mais robustos precisam ser seus ossos para sustentar seu peso. Esse princípio também pode ser aplicado aos dinossauros.

Nagatitan chaiyaphumensis – Crédito: Divulgação/Patchanop Boonsai

Incertezas permanecem

Mesmo assim, as incertezas permanecem. Dois saurópodes podem ter comprimentos semelhantes, mas apresentar proporções corporais muito diferentes. Alguns possuíam troncos mais largos; outros tinham pescoços excepcionalmente longos ou caudas mais extensas. Para preencher as lacunas deixadas pelos fósseis ausentes, os pesquisadores frequentemente recorrem à comparação com espécies aparentadas.

Mas por que é tão difícil encontrar esqueletos completos dos maiores dinossauros?

A resposta está no próprio processo de fossilização. Embora um saurópode adulto pudesse alcançar 30 metros de comprimento e pesar dezenas de toneladas, sua preservação dependia de circunstâncias extraordinárias. Primeiro que, após a morte, um animal tão grande precisava ser rapidamente coberto por enormes quantidades de sedimentos antes que a decomposição e os necrófagos destruíssem seus restos.

A paleontóloga Julia McHugh resume o problema com uma comparação simples: é preciso muito material para enterrar uma pedra; imagine então a quantidade necessária para cobrir um animal do tamanho de um Apatossauro.

Sua própria experiência durante uma enchente histórica do Rio Iowa, em 2008, ajudou a ilustrar essa questão. Apesar de semanas de inundações intensas, os sedimentos depositados em algumas áreas alcançaram apenas cerca de quinze centímetros de profundidade. Para soterrar completamente um saurópode gigantesco, seriam necessárias enchentes muito mais poderosas ou repetidos eventos de deposição sedimentar.

Essas questões levaram McHugh e seus colegas a estudar a famosa pedreira fossilífera de Mygatt-Moore, no estado norte-americano do Colorado. O local contém abundantes restos de saurópodes do período Jurássico, incluindo numerosos fósseis de Apatossauro. Em um estudo publicado em 2020, os pesquisadores investigaram por quanto tempo aqueles ossos permaneceram expostos antes de serem enterrados.

O que mostraram os resultados

Os resultados surpreenderam a equipe. Muitos fósseis apresentavam marcas produzidas por insetos decompositores, indicando que haviam permanecido expostos por cinco ou seis meses. Alguns ossos mostravam sinais de desgaste tão intensos que sugeriam anos de exposição aos elementos antes do soterramento definitivo.

Durante esse intervalo, uma carcaça de saurópode se transformava em um verdadeiro banquete para todo o ecossistema. Moscas, besouros, caracóis, pequenos mamíferos e outros dinossauros eram atraídos pela enorme quantidade de alimento disponível.

Ilustração do saurópode Mamenchisaurus sinocanadorum, dono do maior pescoço da natureza, pela artista e bióloga brasileira Júlia D'Oliveira
Ilustração do saurópode Mamenchisaurus sinocanadorum, dono de um dos maiores pescoços da natureza, pela artista e bióloga brasileira Júlia D’Oliveira – Divulgação/Redes Sociais /Júlia D’Oliveira/@tupandactylus

Entre os visitantes mais frequentes estavam grandes predadores como o Allosaurus. Marcas de dentes encontradas em costelas, membros e ossos pélvicos demonstram que esses carnívoros consumiam os cadáveres. Alguns coprólitos (fezes fossilizadas) contêm fragmentos ósseos, o que indica que os predadores frequentemente ingeriam ossos.

Mesmo quando um saurópode conseguia ser enterrado, novos problemas surgiam. O paleontólogo Michael D’Emic destaca que os mesmos processos capazes de preservar um animal gigante também podiam destruir partes importantes de seu esqueleto. Correntes de lama, enchentes ou deslizamentos que transportavam sedimentos suficientes para cobrir o corpo frequentemente esmagavam ou deslocavam estruturas mais delicadas, como crânios e extremidades da cauda.

Registro incompleto

Ainda assim, considerando todas essas dificuldades, é impressionante que tantos fósseis de saurópodes tenham sobrevivido até os dias atuais. O registro fóssil, porém, permanece incompleto e pode distorcer a visão dos cientistas sobre a história desses animais. Durante muito tempo, por exemplo, acreditou-se que os saurópodes haviam desaparecido da América do Norte por milhões de anos. Mas estudos posteriores sugeriram que o suposto desaparecimento era resultado da falta de ambientes adequados para preservar seus fósseis, e não de uma extinção regional.

A busca pelo maior dinossauro continua cercada de incertezas. Alguns candidatos promissores, como Bruhathkayosaurus, são tão mal conhecidos que sequer podem ser comparados adequadamente aos demais. Em termos de comprimento, diversos saurópodes parecem ter ultrapassado os 30 metros. Em alguns casos, a diferença entre um candidato e outro pode se resumir a poucos centímetros.

Quando o assunto é peso, porém, as evidências são um pouco mais sólidas. Como a espessura dos ossos das pernas está diretamente relacionada à massa corporal, os cientistas conseguem fazer estimativas mais confiáveis. Sob esse critério, os maiores exemplares conhecidos de Argentinosaurus continuam figurando entre os mais pesados já descobertos, com estimativas superiores a 80 toneladas.

Mesmo assim, muitos pesquisadores questionam se faz sentido tentar coroar um único campeão, já que, dentro de uma mesma espécie, indivíduos podem apresentar diferenças de tamanho significativas. Tendo isso em mente, podemos destacar que talvez os maiores exemplares de determinadas espécies jamais tenham sido encontrados.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.