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Colisão entre buraco negro e estrela de nêutrons desafia teorias

Análise de ondas gravitacionais revela que os dois objetos orbitavam em trajetória oval pouco antes da colisão

Colisão buraco negro capa
Trajetória esquematizada de estrela de nêutrons e buraco negro - Geraint Pratten/Royal Society/Universidade de Birmingham

Uma colisão colossal entre um buraco negro e uma estrela de nêutrons está levando astrônomos a reconsiderar algumas das principais teorias sobre a origem e a evolução de sistemas binários extremos no universo. Ao analisar as ondas gravitacionais geradas pelo evento — ondulações no tecido do espaço-tempo — pesquisadores descobriram que os dois objetos orbitavam um ao outro em uma trajetória altamente excêntrica pouco antes de se fundirem, algo considerado improvável pelos modelos tradicionais.

A descoberta foi detalhada em um estudo publicado em 11 de março na revista científica The Astrophysical Journal Letters. Antes da colisão final, o buraco negro e a estrela de nêutrons — o núcleo ultradenso remanescente da explosão de uma estrela massiva — giravam um em torno do outro descrevendo uma órbita oval, semelhante aos padrões de um espirógrafo. Esse comportamento contrasta com o cenário esperado pelos cientistas, segundo o qual esses sistemas deveriam apresentar órbitas quase perfeitamente circulares no estágio final antes da fusão.

Colisão entre sistemas

Segundo os pesquisadores, a descoberta representa um possível indício de que pelo menos parte desses sistemas se forma de maneira diferente da prevista pelas teorias mais aceitas. Tradicionalmente, acredita-se que pares compostos por um buraco negro e uma estrela de nêutrons surgem a partir de duas estrelas massivas que evoluem juntas ao longo de milhões de anos. Nesse processo, cada estrela colapsa em um objeto compacto, e a emissão contínua de ondas gravitacionais faz com que a órbita do par se torne gradualmente circular antes da colisão final.

No entanto, o sistema analisado parece ter seguido um caminho diferente. A persistência de uma órbita excêntrica até momentos antes da fusão sugere que fatores externos podem ter influenciado sua evolução, como interações gravitacionais com outras estrelas próximas ou até a presença de um terceiro objeto no sistema.

Para chegar a essas conclusões, os cientistas utilizaram dados obtidos pelos detectores de ondas gravitacionais LIGO e Virgo, além de um novo modelo teórico desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Birmingham. A nova abordagem permitiu reavaliar propriedades do sistema, incluindo as massas dos dois objetos e o formato da órbita que precedeu a colisão.

Eventos como esse são particularmente importantes para a chamada astronomia de ondas gravitacionais, um campo relativamente recente que permite observar fenômenos cósmicos invisíveis aos telescópios tradicionais. Colisões entre objetos compactos, como buracos negros e estrelas de nêutrons, liberam enormes quantidades de energia e produzem sinais detectáveis mesmo a bilhões de anos-luz de distância.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.