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Johnny Roselli: o mafioso que integrou a CIA para matar Fidel

Aliado de Al Capone, influente em Hollywood e envolvido em operações secretas contra Fidel Castro, Johnny Roselli morreu de forma brutal

Johnny Roselli capa
O mafioso Johnny Roselli - Domínio Público

Poucos integrantes da máfia americana tiveram uma trajetória tão incomum quanto Johnny Roselli. Elegante, carismático e conhecido por circular com facilidade entre astros de cinema, empresários e chefes do crime organizado, ele construiu uma carreira que passou pelos bastidores de Hollywood, pelos cassinos de Las Vegas e até por operações secretas da Agência Central de Inteligência (CIA). Sua morte, em 1976, cercada de violência e mistério, consolidou sua reputação como uma das figuras mais enigmáticas do submundo do crime nos Estados Unidos.

Nascido como Filippo Sacco, em 1905, na Itália, Roselli imigrou ainda criança para os Estados Unidos com a família. Após se estabelecer em Chicago, aproximou-se da organização comandada por Al Capone durante o período da Lei Seca. Sua habilidade para negociar e manter uma imagem refinada o diferenciava de muitos mafiosos da época, permitindo que se tornasse um importante intermediário entre o sindicato do crime e o mundo dos negócios.

Os feitos de Roselli na máfia

Na década de 1930, Roselli foi enviado para Los Angeles, onde passou a representar os interesses da máfia em Hollywood. Em vez de recorrer à violência ostensiva, ele preferia construir relações com produtores, executivos de estúdios e artistas. Também participou de esquemas de extorsão envolvendo sindicatos ligados à indústria cinematográfica, ampliando a influência do crime organizado sobre parte da produção de filmes naquele período.

Anos depois, sua atuação se estendeu para Las Vegas, cidade que vivia a expansão dos cassinos administrados direta ou indiretamente pela máfia. Roselli tornou-se uma figura conhecida nos círculos de entretenimento, convivendo com celebridades e frequentando os principais hotéis e casas de espetáculos da cidade, sempre preservando a imagem de um empresário sofisticado.

Sua história ganhou contornos ainda mais surpreendentes no início dos anos 1960. Após a Revolução Cubana, a CIA buscava maneiras de eliminar o líder cubano Fidel Castro e recorreu a integrantes da máfia que haviam perdido investimentos milionários em cassinos e hotéis de Havana. Roselli foi um dos criminosos recrutados para participar das conversas e ajudar na organização de um plano de assassinato contra Castro. A operação nunca foi bem-sucedida, mas revelou um improvável elo entre o governo americano e o crime organizado durante a Guerra Fria.

O revolucionário cubano Fidel Castro/ Crédito: Getty Image

Na década de 1970, Roselli voltou ao centro das atenções ao prestar depoimento diante do Comitê Church, comissão do Senado americano encarregada de investigar atividades clandestinas das agências de inteligência dos Estados Unidos. Durante as audiências, ele confirmou detalhes sobre a cooperação entre a CIA e a máfia nas tentativas de eliminar Fidel Castro. Também passou a ser citado em teorias relacionadas ao assassinato do presidente John F. Kennedy, embora nunca tenha surgido qualquer prova conclusiva ligando-o diretamente ao crime.

Pouco tempo depois de colaborar com as investigações, Roselli desapareceu. Em julho de 1976, após sair para um passeio de barco na Flórida, nunca mais foi visto com vida. Dez dias depois, pescadores encontraram um tambor metálico boiando em uma baía. Dentro dele estava o corpo do mafioso, estrangulado, esquartejado e acondicionado de forma a dificultar sua identificação. As circunstâncias indicavam claramente uma execução típica da máfia.

As autoridades jamais identificaram oficialmente os responsáveis pelo assassinato. Entre as hipóteses levantadas estavam uma possível punição imposta pela própria organização criminosa por sua colaboração com o Senado ou o receio de que Roselli revelasse informações comprometedoras sobre antigos aliados. Nenhuma dessas teorias, entretanto, foi comprovada.

Décadas após sua morte, Johnny Roselli continua sendo lembrado como um personagem que transitou por alguns dos episódios mais controversos da história americana do século XX.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.