De vice-presidente a escravizado: os fantasmas que supostamente assombram Nova York
Conheça alguns dos fantasmas que supostamente assombram Nova York, uma das maiores metrópoles da América

Conhecida por seus arranha-céus, ruas movimentadas e grande importância econômica, Nova York é uma cidade de atmosfera vibrante. Porém, apesar de sua vitalidade, a terceira cidade mais populosa da América é também palco de assombrações. É o que dizem os muitos relatos de aparições e eventos inexplicáveis em diferentes localidades da metrópole.
Eventos inexplicáveis
No Merchant’s House Museum, em Greenwich Village, visitantes e funcionários relatam objetos que se movem sozinhos, além de pontos de frio intenso e sons inexplicáveis, que estariam especialmente ligados à família Tredwell, que viveu ali no século 19. Há quem diga que até uma de suas antigas moradoras, Gertrude Tredwell, já apareceu após sua morte para repreender crianças barulhentas na rua.
No Brooklyn, o vasto cemitério Green-Wood, palco da Batalha de Long Island, é conhecido tanto por sua beleza quanto pelas histórias de vozes, sombras humanoides e figuras misteriosas entre os mausoléus e árvores antigas. Já no Metropolitan Museum of Art, visitas guiadas revelam como o medo, a morte e o desconhecido foram retratados ao longo dos séculos, e contam histórias de supostos espíritos que ainda caminham pelos corredores ao anoitecer. Reza a lenda que há pelo menos um fantasma da era da Guerra Civil vagando pelo museu.
“É uma parte do mapa que à noite é muito, muito silenciosa e meio escura”, declarou Evan Levy, que realiza visitas guiadas no local, à correspondente da BBC Lynn Browon. “Muitas pessoas, adultos e crianças, me disseram que sentiram a presença [ou] a viram. Não estou aqui para julgar, apenas denuncio.”
Enquanto isso, no bairro West Village é possível visitar o restaurante onde Aaron Burr, terceiro vice-presidente dos EUA famoso por matar Alexander Hamilton em um duelo, supostamente move copos e brinca com brincos femininos.

Fantasmas em Mansão
Mas entre as aparições mais impactantes, pode-se dizer, destacam-se as da Mansão Morris-Jumel. Construída em 1765, a residência mais antiga ainda de pé em Manhattan é hoje um museu, mas já foi taverna e serviu como quartel-general de George Washington durante a Guerra Revolucionária. Segundo Brown, há relatos de um fantasma — de um homem que teria vivido ali nessa mesma época — que costuma aparecer para visitantes. Seu nome seria Isaac Till.
Ninguém sabe ao certo quando ou onde Isaac nasceu. O que se sabe é que ele chegou à Mansão Morris-Jumel ao lado de sua esposa, Hannah. Registros do museu indicam que o casal, mantido em condição de escravidão, foi alugado para servir como cozinheiros de George Washington enquanto ele e o Exército Continental ocupavam as terras da propriedade. A existência de Isaac e Hannah só pôde ser confirmada graças aos minuciosos registros financeiros mantidos por Washington, que detalhavam os valores pagos por esse aluguel. Hoje, a equipe da mansão trabalha para resgatar a memória deles e de outras pessoas escravizadas, cujos nomes se perderam no tempo

Conversa com um fantasma
Em seu artigo, Lynn Brown relata que encontrou Isaac pela primeira vez menos de quinze minutos após o início de uma investigação paranormal guiada pela mansão. Ela e um amigo afirmam ter ouvido o murmúrio distante de um antigo cântico espiritual vindo do porão. Segundo a jornalista, a “conversa” com Isaac ocorreu depois que os medidores EMF começaram a piscar próximo à antiga lareira — o mesmo local onde ele provavelmente cozinhava as refeições. Por meio de uma sessão de perguntas e respostas simples, usando uma vara de radiestesia para respostas “sim” ou “não”, o espírito teria confirmado que a voz ouvida era dele.
Isaac, porém, não seria o único espírito presente no local. Gaita, a guia, relatou que Eliza Jumel, ex-proprietária da mansão, costuma mover objetos e já teria sido vista na varanda, assustando um grupo de crianças que aguardava uma visita guiada. Aaron Burr, que se casou com Eliza na sala de estar da casa em 1833, também seria uma presença constante nos corredores. Além deles, Brown menciona outros espíritos anônimos. Um deles teria sido notado, certa vez, em uma sala no andar de cima, onde George Washington mantinha um escritório. Nessa ocasião, os medidores EMF piscaram em vermelho, mesmo sem qualquer fonte de eletricidade aparente nas proximidades.
“Há tantas pessoas que viveram que não foram registradas nos livros de história”, disse Gaita. “[Pessoas que] nunca saberemos o nome, especialmente no porão onde viviam os escravos. Então, é uma forma de honrar [que] vai além de apenas reconhecer sua existência, é realmente tentar estar presente com sua energia, apesar de não saber seus nomes.”