Notícias / Jogadoras iranianas

Trump oferecerá asilo a jogadoras da seleção iraniana de futebol feminino

Jogadoras iranianas temem voltar ao país após não cantarem o hino em partida da Copa Ásia, na Austrália e Trump oferece asilo

Irã x Austrália para as classificatórias das Olimpíadas em 2023 - Créditos: Getty Images

As jogadoras da seleção iraniana feminina se recusaram a cantar o hino do país na partida válida pela Copa Ásia, que ocorre na Austrália.

O governo do Irã classificou as jogadoras como “traidoras em tempos de guerra” e um comentarista da emissora estatal iraniana afirmou que o episódio teria sido o “ápice da desonra”. “Traidores em tempos de guerra devem ser punidos com mais severidade”, afirmou o comentarista e apresentador Mohammad Reza Shahbazi.

A Associação Internacional de Jogadores de Futebol (FIFPRO na sigla em inglês) afirmou nesta segunda-feira, 9, ter sérias preocupações com a seleção feminina.

A campanha da seleção feminina iraniana começou na semana passada, justamente quando os Estados Unidos e Israel iniciaram os ataques contra o Irã. A equipe foi eliminada no domingo, 8, após perder de 2×0 para as Filipinas e teria que regressar ao país, mas os torcedores iniciaram um movimento pedindo que a Austrália conceda asilo ao time.

Segundo alguns torcedores, as jogadoras vinham enviando sinais de socorro durante as partidas disputadas e pela janela do local onde estavam hospedadas. O governo na Austrália ainda não sinalizou se vai conceder asilo, repercutiu o G1.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na sua rede social Truth Social que a Austrália estava cometendo um terrível erro humanitário. “A Austrália está cometendo um grave erro humanitário ao permitir que a Seleção Nacional Feminina de Futebol do Irã seja forçada a retornar ao Irã, onde muito provavelmente serão mortas. Não faça isso, Sr. Primeiro-ministro, conceda ASILO. Os EUA as acolherão se o senhor não o fizer”, publicou.

Após sua publicação, Trump disse ter entrado em contato com o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, e afirmou que o premiê está cuidando do assunto. Segundo Trump, Albanese afirmou que cinco jogadoras já haviam sido “atendidas” pelo governo australiano.

“Ele (Anthony Albanese) está cuidando disso! Cinco jogadoras já foram atendidas e as demais estão a caminho. Algumas, no entanto, sentem que precisam voltar porque estão preocupadas com a segurança de suas famílias, incluindo ameaças que seus familiares podem sofrer caso não retornem. De qualquer forma, o Primeiro-Ministro está fazendo um excelente trabalho lidando com essa situação bastante delicada. Deus abençoe a Austrália!”, escreveu.”

Apesar das atuais declarações do presidente norte-americano, no ano passado o governo dos EUA expulsou centenas de cidadãos iranianos, dentro da política de imigração de Donald Trump. O governo iraniano disse que cerca de 400 iranianos que viviam nos EUA foram deportados no ano passado.

Uma reportagem do The New York Time afirmou que pelo menos cem iranianos deportados eram refugiados foram expulsos por um acordo secreto entre Washington e Teerã.

Campanha para refúgio

Os torcedores agitaram a bandeira iraniana anterior a 1979, vaiaram o hino nacional e tentaram impedir a saída do técnico da equipe, gritando “Salvem nossas meninas”, em meio a preocupações com a segurança das jogadoras após o silêncio durante o hino, segundo o G1.

Mais de 66 mil pessoas também assinaram uma petição pedindo que o governo australiano conceda asilo às jogadoras.

O presidente da FIFPRO para a Ásia e Oceania, Beau Busch, afirmou que a federação não conseguiu contatar as jogadoras para saber se querem asilo no país.