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Terremoto ocorrido há 15 anos deslocou o Japão para a direita, conforme estudo

Terremoto de Tohoku, que atingiu o Japão em março de 2011, deslocou todo o território para leste, de acordo com pesquisadores

Homem fazendo buscas em destroços provenientes do tsunami de 2011 no Japão
Homem fazendo buscas em destroços provenientes do tsunami de 2011 no Japão - Getty Images

Um estudo publicado nesta quinta-feira, 18, na revista Science revelou que o megaterremoto de Tohoku, que atingiu o Japão em março de 2011, provocou um deslocamento de todo o território japonês alguns milímetros para leste. Segundo os pesquisadores envolvidos, o fenômeno foi causado por uma onda sísmica que percorreu o interior da Terra, atingiu o núcleo do planeta e retornou à superfície, desencadeando novos deslizamentos ao longo de falhas geológicas.

Os terremotos, é importante dizer, são fenômenos que resultam da liberação de energia acumulada pelo atrito entre placas tectônicas. Quando essa energia é liberada de forma abrupta e intensa, produz ondas sísmicas capazes de gerar grandes tremores na superfície.

O caso do terremoto de Tohoku foi particularmente marcante. Além de ter provocado um devastador tsunami que atingiu a usina nuclear de Fukushima Daiichi, desencadeando um dos maiores acidentes nucleares já registrados, o evento também produziu efeitos geológicos que continuam sendo estudados mais de uma década depois.

De acordo com a nova pesquisa, a responsável pelo deslocamento do Japão foi uma onda sísmica conhecida como ScS, que se refletiu no núcleo terrestre antes de retornar. Este é o primeiro caso documentado em que uma onda desse tipo, refletida pelo núcleo da Terra, foi observada interagindo com uma falha geológica já em movimento.

Segundo informações do portal Galileu, a descoberta foi feita pela sismóloga Sunyoung Park e seus colegas durante a análise de dados sísmicos e registros de GPS coletados após o terremoto de 2011. Os cientistas identificaram que, cerca de 13 minutos após o tremor principal, a passagem da onda coincidiu com um deslocamento do solo detectado por diversos sensores espalhados pelo Japão.

Uma área extensa

Conforme a fonte, as alterações não ficaram restritas a uma única região. Os registros foram observados desde a ilha de Hokkaido, no extremo norte do país, até Kyushu, no sul, indicando que uma extensa área ao longo da fronteira entre placas tectônicas sofreu uma nova ruptura. Como consequência, partes do território japonês se deslocaram entre 5 e 6 milímetros para leste.

Os autores afirmam que o fenômeno revela uma fonte de risco sísmico até então desconhecida. Segundo eles, ondas refletidas pelo núcleo terrestre podem reativar áreas afetadas pelo terremoto principal e até mesmo outras interfaces tectônicas próximas. No artigo, os pesquisadores alertam que esse mecanismo deve ser levado em consideração em avaliações futuras de risco, já que seus efeitos podem ocorrer vários minutos após o tremor inicial.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.