Suzane von Richthofen expõe relações familiares tensas em novo documentário
No novo documentário 'Suzane Vai Falar', Suzane von Richthofen, que foi condenada por assassinar os próprios pais, relata conflitos, agressões e relação conturbada na família antes do crime

Suzane von Richthofen voltou a falar publicamente sobre o assassinato dos pais em um documentário inédito da Netflix, no qual apresenta sua versão sobre os acontecimentos e descreve o ambiente familiar em que cresceu. Condenada a 39 anos de prisão pela morte de Manfred e Marísia von Richthofen, ela traz novos relatos sobre a dinâmica dentro de casa, incluindo episódios de violência e distanciamento emocional.
Na produção intitulada ‘Suzane Vai Falar’, que teve pré-estreia restrita, Suzane inicia seu depoimento relembrando a infância.
Revelações familiares
Segundo ela, a rotina familiar era marcada por exigência acadêmica e ausência de afeto. “Eu vivia estudando. Era só nota alta. Tirava 9 e 10 em todas as matérias. Não tinha demonstração de amor, nem deles pra gente, nem da gente pra eles”, afirmou.
Ao abordar a relação com o pai, ela descreve um comportamento distante e rígido. “Meu pai era zero afeto. Minha mãe ainda tinha um pouco”, disse. Em outro momento, Suzane relata ter presenciado uma cena de agressão dentro de casa ainda na infância. “Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível”, contou.
De acordo com o depoimento, o relacionamento entre os pais era conturbado, com episódios frequentes de conflito. Ela também afirmou que, ao longo do tempo, ela e o irmão passaram a se sentir ignorados no ambiente familiar. “Eu e meu irmão fomos ficando invisíveis dentro de casa. Minha família não era família Doriana. Longe disso. Meus pais construíram um abismo entre nós”, declarou.
O documentário também aborda o início do relacionamento de Suzane com Daniel Cravinhos, igualmente condenado pelo crime. Segundo ela, a convivência com os pais teria se deteriorado com o avanço do namoro. Nesse contexto, Suzane afirma ter sido vítima de agressão física por parte do pai. “Ele me deu um tapão na cara tão forte que meu rosto virou pro lado”, relatou.
A partir desse período, ela descreve uma rotina marcada por conflitos constantes, mentiras e encontros escondidos. Suzane afirma que passou a levar uma vida dupla, escondendo o relacionamento e enfrentando crescente tensão dentro de casa.
Um dos episódios mencionados no documentário envolve uma viagem dos pais à Europa, que teria durado cerca de 30 dias. Durante esse intervalo, ela relata ter vivido com Daniel na casa da família e experimentado uma sensação de liberdade que não queria perder após o retorno deles, repercute o portal Notícias da TV, do UOL.
Vale mencionar que, apesar de, na produção, tentar se distanciar da execução direta do crime, Suzane não deixa de reconhecer sua responsabilidade como mandante do assassinato. “Eu aceitei. Eu os levei pra dentro da minha casa. A culpa é minha. Claro que é minha”, afirmou.