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Sapo australiano revela rara cor azul escondida para fugir de predadores

Pesquisadores descobriram que o sapo-sino verde e dourado exibe rara coloração azul iridescente nas coxas, usada para confundir predadores; entenda!

Fotografia de sapo-sino verde e dourado e de parte interna das coxas de um exemplar adulto / Crédito: Licença Creative Commons/Matt Clancy / Divulgação/John Gould

O sapo-sino verde e dourado (Ranoidea aurea), um dos anfíbios mais conhecidos da Austrália, revelou uma característica que permaneceu desconhecida por quase 200 anos. Pesquisadores da Universidade de Newcastle identificaram que a espécie possui uma coloração azul metálica iridescente na parte interna das coxas, capaz de mudar para tons esverdeados conforme o ângulo de observação. A descoberta foi descrita em um estudo publicado em 6 de julho na revista Austral Ecology.

Segundo os cientistas, trata-se de um dos registros mais evidentes de iridescência já documentados em anfíbios. Esse tipo de efeito óptico é mais comum em animais como aves, borboletas e besouros, sendo raro entre sapos.

A coloração permanece oculta quando o anfíbio está parado, tornando-se visível apenas durante saltos ou movimentos das pernas. Para os pesquisadores, esse brilho pode reforçar a estratégia defensiva da espécie, tornando o sinal visual mais chamativo diante de possíveis predadores.

“Acredita-se que a parte interna azul da coxa já desempenhe um papel importante na defesa contra predadores. Nossas descobertas sugerem que a iridescência pode realçar esse sinal visual, tornando-o ainda mais notável e atraente quando o sapo se move”, afirmou o biólogo da conservação John Gould, autor principal do estudo, em comunicado.

A descoberta ocorreu durante pesquisas de campo realizadas na Ilha Kooragang, localizada no estado australiano de Nova Gales do Sul. No local, Gould analisou três exemplares adultos da espécie — um macho e duas fêmeas — para verificar a existência do fenômeno.

As gravações confirmaram que a pele localizada na parte interna das coxas apresenta um intenso brilho metálico, cuja tonalidade varia conforme a posição do observador. Dependendo do ângulo, a região pode exibir diferentes matizes, como azul-escuro, azul-claro, turquesa e azul-esverdeado.

Enquanto isso, o restante do corpo conserva a tradicional coloração verde característica da espécie, escondendo completamente o brilho quando o animal permanece imóvel.

De acordo com o site IFLScience, essa combinação explica por que o fenômeno passou despercebido desde que o sapo-sino verde e dourado foi descrito cientificamente pela primeira vez, em 1827.

Fotografia de sapo-sino verde e dourado / Crédito: Licença Creative Commons/André Poad

Cor azul em anfíbios

O estudo também altera a compreensão científica sobre a origem da coloração azul na pele dos sapos. Diferentemente de outras cores produzidas por pigmentos, o azul é considerado raro na natureza quando depende exclusivamente de processos químicos.

Em muitos animais, essa tonalidade surge por meio da chamada coloração estrutural, resultado da interação da luz com estruturas microscópicas presentes na pele ou em outras superfícies do corpo, segundo a Revista Galileu.

Até então, os pesquisadores acreditavam que o azul observado em anfíbios era provocado principalmente pela dispersão da luz em estruturas distribuídas de maneira aleatória. A presença da iridescência, porém, indica que essas estruturas precisam estar organizadas de forma muito mais ordenada, em um padrão semelhante ao encontrado nas asas de diversas espécies de borboletas.

Para Gould, a descoberta demonstra que a estrutura da pele dos anfíbios pode ser mais sofisticada do que se imaginava e sugere que outros casos semelhantes ainda podem ser identificados em espécies já conhecidas.

“Este estudo demonstra que a pele dos anfíbios pode ser muito mais complexa do que imaginávamos e sugere que outros exemplos de iridescência ainda podem estar esperando para ser descobertos”, afirmou o pesquisador.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.