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Pinguim-imperador entra para lista de espécies ameaçadas de extinção

Especialistas reclassificaram situação do pinguim-imperador após nova avaliação apontar o agravamento dos riscos à espécie ligados às mudanças climáticas

Imagem ilustrativa - Crédito: Getty Images

A União Internacional para a Conservação da Natureza reclassificou o pinguim-imperador como espécie ameaçada de extinção após uma nova avaliação que aponta o agravamento dos riscos ligados às mudanças climáticas e à perda de gelo marinho na Antártida.

Antes enquadrada como “quase ameaçada”, a espécie passou a integrar uma categoria mais crítica na Lista Vermelha da IUCN. A entidade descreve o cenário atual como uma “ameaça existencial” para espécies que dependem do gelo.

Os pinguins-imperadores dependem diretamente do gelo marinho para sobreviver, caçar e se reproduzir. Por isso, a ruptura antecipada das placas congeladas, somada à instabilidade crescente, tem provocado uma redução significativa da população. A tendência, segundo a IUCN, é que ela seja reduzida pela metade até a década de 2080.

De acordo com informações do portal O Globo, dados de satélite revelam o desaparecimento de cerca de 20 mil indivíduos adultos entre 2009 e 2018, o equivalente a aproximadamente 10% da população. Desde 2016, os níveis de gelo marinho têm atingido recordes mínimos, com recuos e quebras precoces já na primavera.

O cientista Christophe Barbraud, do Centro Nacional de Pesquisa Científica, destaca que a espécie é fortemente dependente do gelo. Segundo ele, a redução significativa da extensão do gelo marinho desde 2016–2017 compromete diretamente a sobrevivência desses animais.

A IUCN também relaciona as mudanças climáticas à diminuição da oferta de alimento. O aquecimento dos oceanos e a retração do gelo têm levado o krill a migrar para águas mais profundas e frias, reduzindo sua disponibilidade para predadores.

Outras espécies

Outras espécies também foram reclassificadas. A foca-de-pelo-antártica passou a ser considerada ameaçada após um declínio superior a 50% desde 1999, inicialmente associado à caça e agravado por mudanças ambientais. Já o elefante-marinho-do-sul deixou a categoria de “menos preocupante” e passou a “vulnerável”, em razão da redução populacional ligada a um patógeno contagioso.

Maior e mais pesado entre os pinguins, o pinguim-imperador — reconhecido pela coloração dourada-alaranjada no pescoço e no peito — é frequentemente visto como um símbolo de resistência às condições extremas da Antártida. Para especialistas, a espécie também funciona como um importante indicador das transformações ambientais em curso.

Como resume o pesquisador Philip Trathan, trata-se de uma espécie sentinela, capaz de revelar o impacto das mudanças climáticas e o grau de eficácia no controle das emissões de gases de efeito estufa.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.