Naufrágio de 2.000 anos revela cerâmicas intactas no Mediterrâneo
Descoberta na costa turca de Adrasan traz utensílios helenísticos perfeitamente preservados graças a técnica inédita de proteção com argila

Um impressionante naufrágio recentemente descoberto nas águas profundas da costa de Adrasan, no sul da Turquia, está lançando nova luz sobre o comércio marítimo e as práticas logísticas do Mediterrâneo oriental de mais de dois milênios atrás.
Datado do final do período helenístico ao início do período romano, o navio repousa a cerca de 46 metros de profundidade e guarda uma carga extraordinariamente bem preservada de cerâmicas — incluindo tigelas, potes, bandejas e pratos — todos ainda empilhados em sua disposição original de embarque.
O que torna a descoberta singular é a condição quase intocada dos artefatos, protegidos por uma técnica incomum: uma camada de argila bruta foi aplicada sobre cada peça antes da viagem, criando uma espécie de “selante natural” que as isolou da corrosão e dos efeitos do ambiente marinho durante mais de 2.000 anos. Segundo especialistas, essa estratégia de preservação nunca havia sido observada em escala tão ampla.
“Esta é uma descoberta extremamente preciosa não apenas para o nosso país, mas também para o patrimônio cultural mundial”, declarou o Ministro da Cultura e Turismo da Turquia, Mehmet Nuri Ersoy, que mergulhou pessoalmente no local para acompanhar as escavações subaquáticas.
As cerâmicas que foram carregadas neste cargueiro chegaram aos dias de hoje sem sequer danificar seus padrões”, celebrou, em comunicado no Facebook.
Arqueólogos acreditam que o navio transportava bens de consumo e, além da beleza dos objetos, o naufrágio oferece uma rara oportunidade de entender como cargas eram organizadas, acondicionadas e distribuídas na Antiguidade. Como os utensílios ainda se encontram na mesma posição em que foram colocados no navio, os estudiosos poderão investigar práticas logísticas sofisticadas da época.
Importância
A descoberta integra um extenso mapeamento arqueológico da região, que já revelou mais de 400 naufrágios entre Patara e Mersin, evidenciando a densidade do comércio marítimo antigo na costa mediterrânea da Anatólia.
Batizado de “Pia de Cerâmica”, o sítio submerso de Adrasan terá parte de sua área aberta ao turismo de mergulho após a conclusão das escavações. Além disso, os principais artefatos recuperados serão exibidos no futuro Museu de Arqueologia Subaquática do Mediterrâneo, previsto para ser construído em Kemer Idyros a partir deste verão.
Segundo o ‘Archaeology News’, a descoberta reforça a importância da arqueologia subaquática na reconstrução de capítulos esquecidos da história e confirma o papel vital do Mediterrâneo como berço de trocas culturais, econômicas e tecnológicas que moldaram o mundo antigo.