NASA realiza missão para tentar impedir que telescópio caia na Terra
Missão da NASA deve capturar e impulsionar o Observatório Neil Gehrels Swift para uma órbita mais alta

A fim de evitar que um telescópio caia na Terra, a NASA está apostando em uma operação de resgate espacial envolvendo o lançamento de uma nave robótica. A ideia é que o mecanismo capture e impulsione o Observatório Neil Gehrels Swift para uma órbita mais alta, de modo a prolongar a vida útil do instrumento, que está em atividade desde 2004.
Projetado projetado para detectar explosões de raios gama, o telescópio orbitava a Terra a cerca de 600 quilômetros de altitude quando foi lançado. Com o passar dos anos, porém, sua trajetória foi gradualmente se deteriorando. Hoje, ele se encontra a aproximadamente 370 quilômetros da superfície terrestre — e continua perdendo altitude de forma constante.
A princípio, a expectativa era que o Swift ficasse em operação pelo menos até o início da próxima década, mas um ciclo solar mais intenso do que o previsto acabou por alterar cálculos dos cientistas. Acontece que durante períodos de elevada atividade solar, a atmosfera superior da Terra aquece e se expande, aumentando o arrasto sobre satélites em órbita baixa. Como o Swift não possui um sistema próprio de propulsão para corrigir sua trajetória, sua descida acabou acelerando, explica o portal Galileu.
No ano de 2024, a equipe responsável pela missão concluiu que a situação era mais urgente do que se pensava. Os pesquisadores notaram que, em vez de ter anos de funcionamento pela frente, o observatório poderia contar apenas com alguns meses antes de iniciar sua reentrada na atmosfera. Diante desse cenário, a NASA selecionou, em setembro do ano passado, a empresa Katalyst Space Technologies para desenvolver uma nave robótica de resgate chamada LINK. O veículo foi projetado e construído em apenas sete meses.
Quando ocorre o lançamento
O lançamento da LINK deve ocorrer no dia 27 de junho, a bordo de um foguete Pegasus XL. Após testes, a espaçonave deverá realizar uma série de manobras para alcançar o Swift. Se a operação for bem-sucedida, braços robóticos serão usados para se conectar ao observatório e elevar sua órbita ao longo de várias semanas.
A missão, contudo, está longe de ser simples. O Swift nunca foi projetado para receber assistência de outra nave, o que torna a aproximação e a captura particularmente complexas. Além disso, os engenheiros precisam considerar possíveis falhas técnicas, danos após décadas no espaço e até novas tempestades solares capazes de acelerar ainda mais a perda de altitude do telescópio.
Também o fator tempo é decisivo. Caso o Swift desça para menos de 300 quilômetros de altitude, a nave de resgate poderá não conseguir alcançá-lo. Por esse motivo, os responsáveis pelo projeto tratam a operação como uma verdadeira corrida contra o relógio.
Se der certo, a missão poderá estender em cerca de cinco anos a vida útil do observatório. Para os astrônomos, o esforço vale a pena. “Não existe outro telescópio espacial com a flexibilidade necessária para observar alvos com a mesma frequência e tempo de resposta que o Swift”, afirmou o astrônomo Daniel Perley à revista Science.