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Médica legista explica incerteza na autópsia de Epstein

Segundo a profissional responsável pelo exame, decisão demorou porque ela queria verificar pessoalmente a cena da morte de Epstein

Jeffrey Epstein - Crédito: Getty Images

Anos após a morte do financista Jeffrey Epstein em uma prisão de Nova York, a médica legista que supervisionou sua autópsia revelou por que não classificou imediatamente o caso como suicídio. A explicação surgiu em documentos e entrevistas divulgados recentemente dentro do conjunto de materiais conhecidos como “arquivos Epstein”, liberados pelo governo dos Estados Unidos.

A médica legista de Nova York Kristin Roman, responsável por supervisionar o exame do corpo do empresário em 2019, afirmou que preferiu adiar a conclusão oficial até reunir mais informações sobre o contexto da morte. Entre as medidas que ela considerava essenciais estavam visitar a cela onde Epstein foi encontrado e conversar diretamente com o agente penitenciário que descobriu o corpo.

Suicídio de Epstein?

Segundo Roman, esses procedimentos fazem parte do protocolo médico-legal em casos de morte sob custódia, especialmente quando envolvem circunstâncias potencialmente controversas. A avaliação da cena e o depoimento das pessoas presentes no momento da descoberta podem fornecer pistas importantes sobre o mecanismo da morte, algo que nem sempre pode ser determinado apenas pelo exame do corpo.

Jeffrey Epstein, empresário acusado de liderar um esquema de tráfico sexual envolvendo menores, foi encontrado morto em 10 de agosto de 2019 em sua cela no Metropolitan Correctional Center, em Manhattan. Ele aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual quando foi encontrado inconsciente pelos guardas da prisão. Posteriormente, o escritório do médico legista da cidade concluiu que a causa da morte foi suicídio por enforcamento.

Apesar da conclusão oficial, a morte de Epstein gerou inúmeras dúvidas e teorias. Investigadores identificaram falhas graves nos procedimentos da prisão naquela noite, incluindo a ausência de verificações regulares na cela e problemas com câmeras de segurança. Dois guardas responsáveis pela vigilância acabaram acusados de falsificar registros de monitoramento após adormecerem durante o turno.

A autópsia também foi acompanhada pelo patologista forense Michael Baden, contratado pela família de Epstein, que levantou dúvidas sobre alguns achados, como fraturas em ossos do pescoço — lesões que podem ocorrer tanto em suicídios por enforcamento quanto em casos de estrangulamento.

Mesmo com as controvérsias, as investigações conduzidas pelo FBI e pelo Departamento de Justiça mantiveram a conclusão de que Epstein tirou a própria vida.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.