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Mapa antigo leva à descoberta de naufrágio do século 17 com tesouro na Inglaterra

Inscrição em mapa antigo levou mergulhador a encontrar os destroços do Phoenix, navio da Companhia das Índias Orientais afundado em 1680 com carga valiosa

Moeda e joia descobertas no local / Crédito: Divulgação/Museu das Ilhas Scilly

Uma pista encontrada em um antigo mapa levou um mergulhador à localização do naufrágio do Phoenix, embarcação britânica do século 17 que transportava moedas, joias de ouro e outros objetos de valor quando afundou próximo às Ilhas Scilly, na costa da Inglaterra. Séculos após o desastre, parte desses tesouros foi recuperada e passará a integrar o acervo do Museu das Ilhas Scilly, onde será exibida ao público.

A descoberta começou nos arquivos do Museu Marítimo Nacional, em Greenwich. Enquanto examinava um mapa histórico da região, o mergulhador e escritor Todd Stevens encontrou a inscrição “Cap Wildy perdido” em uma área localizada a oeste da ilha de Samson. A anotação fazia referência ao capitão William Wildy, comandante do Phoenix, e despertou a curiosidade de Stevens para investigar o local.

A busca o levou às Rochas Ocidentais, um trecho das Ilhas Scilly conhecido pela grande quantidade de naufrágios registrados ao longo da história. Munido de equipamento de mergulho, ele explorou profundidades que variavam entre 4,5 e 40 metros abaixo da superfície até localizar os restos da embarcação.

Segundo Stevens, um detalhe específico permitiu confirmar a identidade do navio. O lastro era composto por pedaços quebrados de canhões, uma característica considerada incomum e compatível com o Phoenix.

Durante as expedições, o mergulhador recuperou diversos objetos preservados no fundo do mar. Entre eles estavam moedas, joias, fragmentos de espadas, instrumentos de navegação e itens de uso pessoal que podem ter pertencido ao capitão e aos integrantes da tripulação, de acordo com a BBC News.

Todo o material foi doado ao Museu das Ilhas Scilly, instituição dedicada à preservação da história natural, arqueológica e marítima do arquipélago. “É difícil acreditar que esses objetos estiveram no fundo do mar por quase 350 anos”, afirmou o curador do museu, Xavier Duffy, segundo o Divernet. “Essa doação garante que o material possa agora ser compartilhado com o público e preservado para as futuras gerações como parte do patrimônio das ilhas.”

Xavier Duffy e Todd Stevens examinando os tesouros recuperados / Crédito: Divulgação/Museu das Ilhas Scilly

Trajetória do Phoenix

Construído em 1670, o Phoenix era um navio equipado com 46 canhões. Na época do naufrágio, navegava a serviço da Companhia das Índias Orientais, empresa inglesa que, entre os séculos 17 e 19, desempenhou papel central no transporte de mercadorias como seda, chá e especiarias pelas principais rotas comerciais do mundo.

Em 11 de janeiro de 1680, durante o retorno de uma viagem à China, a embarcação enfrentou condições meteorológicas adversas e acabou afundando nas proximidades das Ilhas Scilly. Embora grande parte da carga comercial tenha sido recuperada logo após o acidente, diversos objetos permaneceram perdidos no fundo do mar até a recente expedição conduzida por Stevens.

O destino do Phoenix, entretanto, não foi um caso isolado. As Ilhas Scilly possuem uma longa história de acidentes marítimos. Ao longo dos séculos, quase mil embarcações afundaram ao tentar atravessar o arquipélago, considerado um dos trechos mais perigosos da navegação britânica.

Entre os episódios mais conhecidos estão o naufrágio do HMS Association, em 1707, apontado como um dos maiores desastres marítimos da história do Reino Unido, e o encalhe do HMS Colossus, em 1798, cujos destroços figuram entre os naufrágios mais bem preservados do país.

Diversos fatores contribuíram para essa reputação. A baixa visibilidade, os estreitos canais de navegação utilizados por embarcações pesqueiras e a presença de numerosas rochas submersas transformaram a região em um obstáculo constante para marinheiros ao longo dos séculos, de acordo com a Smithsonian Magazine.

Essa combinação de características levou o escritor John Fowles a descrever a área como um dos locais mais perigosos do mundo para a navegação. Segundo seu livro Shipwreck, publicado em 1974, “As costas das Ilhas Scilly e do oeste da Cornualha provavelmente se provaram mais letais do que qualquer área comparável no mundo”.

Agora, graças à descoberta iniciada por uma simples anotação em um mapa antigo, parte da história do Phoenix deixa o fundo do mar para integrar o patrimônio histórico das Ilhas Scilly, oferecendo ao público um raro conjunto de objetos preservados desde o século 17.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.