Fóssil de caracol com filhote dentro da concha é descoberto
Fóssil de 1,8 milhão de anos revela comportamento vivíparo em moluscos e se torna o segundo registro do tipo no mundo

Pesquisadores identificaram cinco espécies de moluscos de água doce na Formação Tananwan, ao norte de Taiwan, datadas do Pleistoceno Inferior, período que começou há cerca de 2,5 milhões de anos. Entre os achados, um chamou atenção: um caracol juvenil preservado dentro da concha de sua mãe, pertencente à espécie Sinotaia quadrata. Trata-se do exemplar mais antigo já encontrado no país e apenas o segundo caso conhecido no mundo desse tipo de preservação.
Segundo os cientistas, a descoberta indica que o comportamento vivíparo — quando a fêmea dá à luz filhotes vivos, em vez de colocar ovos — já existia entre os moluscos pré-históricos. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Geodiversitas.
Para entender o contexto em que os fósseis foram formados, a equipe utilizou duas abordagens complementares. Primeiro, analisou as camadas rochosas da Formação Tananwan para determinar a idade e o ambiente geológico. Depois, realizou estudos morfológicos detalhados que permitiram reconstruir o formato e a estrutura das conchas.
Destaque
A comparação dos fósseis com exemplares de outras regiões da Ásia Oriental e do Japão revelou que a chamada “ponte terrestre” do estreito de Taiwan serviu como rota migratória para espécies de caracóis de água doce durante o período.
“Este estudo representa um avanço significativo na compreensão da paleontologia de água doce de Taiwan. Enquanto mais de 99% do registro fóssil de moluscos da ilha é marinho, foi documentado o primeiro conjunto de água doce do Pleistoceno Inferior bem descrito, proveniente da Formação Tananwan”, destacou Chun-Hsiang Chang, coautor da pesquisa.
Segundo o ‘Metrópoles’, além de revelar uma raridade paleontológica, a descoberta oferece novas pistas sobre a evolução dos ecossistemas de água doce e o impacto das mudanças climáticas na biodiversidade da região ao longo de milhões de anos.
Os pesquisadores afirmam que novas escavações já estão em andamento na região, com o objetivo de identificar outros fósseis que possam esclarecer como esses caracóis e demais espécies de água doce se adaptaram às transformações ambientais do Pleistoceno.