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Cientistas descobrem peixe com dentes que saem da testa

Dentes localizados na testa de peixe possuem função inusitada durante o acasalamento, conforme destaca estudo recente

Espécie de peixe tem dentes na testa que usa para o acasalamento - Crédito: Divulgação/K.E. Cohen et al/PNAS 2025

Um estudo recente revelou que machos da espécie Hydrolagus colliei, popularmente conhecida como peixe-rato-pintado, apresentam uma característica surpreendente: dentes localizados na testa, entre os olhos. Essa descoberta inovadora foi publicada na edição de setembro do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

Diferentemente de outros vertebrados, onde os dentes são tipicamente encontrados na mandíbula, os dentes do peixe-rato-pintado se projetam em forma de garras a partir de um tentáculo que emerge da testa dos machos. Essa estrutura desempenha um papel crucial durante o acasalamento, permitindo que os machos agarrem suas parceiras.

Este achado representa um marco significativo, pois até então se acreditava que os dentes dos vertebrados eram exclusivamente orais. A bióloga Karly Cohen, autora do estudo e pesquisadora na Universidade de Washington, expressou sua empolgação: “É fenomenal encontrar dentes verdadeiros fora da boca”.

O peixe-rato-pintado tem despertado a curiosidade científica por muito tempo devido à sua aparência única. Com barbatanas grandes que lembram asas, esses peixes possuem aparência fantasmagórica. Além disso, como destaca o portal Galileu, sua pele é lisa e brilhante, ao contrário da textura áspera comumente associada aos tubarões.

Vestígios evolutivos

Cientistas já suspeitavam que as estruturas presentes na testa dos machos poderiam ser vestígios evolutivos de ancestrais distantes, e agora essa hipótese foi confirmada. O estudo revela que essas pontas são, na verdade, dentes verdadeiros que se desenvolvem a partir de um tecido conhecido como lâmina dentária, similar ao processo de formação dos dentes normais. Além disso, foi observado que o tecido das protuberâncias apresenta atividade gênica associada à odontogênese.

A identificação tardia desses animais pode ser atribuída ao seu habitat no fundo do mar, onde sua observação é bastante desafiadora. Contudo, durante o período reprodutivo, eles emergem de profundidades que podem chegar a 1.000 metros para se reproduzirem. As análises realizadas focaram nos espécimes encontrados nas águas rasas do Puget Sound, em Washington.

Karly Cohen acredita que existem ainda mais espécies com características dentárias inusitadas aguardando para serem descobertas nas profundezas oceânicas: “Quanto mais procurarmos, mais os encontraremos”.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.