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Caixas de rapé do século 18 retornam a museu em Londres após roubo

Roubadas em 2024, caixas de rapé do século 18 ligadas a Catarina II e Frederico II voltam a ser exibidas em Londres após recuperação e restauração

Caixa de rapé de Frederico II da Prússia / Crédito: Divulgação/Museu Victoria & Albert

Caixas de rapé históricas ligadas a monarcas europeus do século 18 voltaram a ser exibidas ao público após terem sido roubadas em um assalto em 2024. As peças, que estavam expostas em Paris, foram parcialmente recuperadas e restauradas antes de retornarem às vitrines do Museu Victoria & Albert, onde integram a Coleção Gilbert.

O roubo ocorreu em novembro de 2024, quando criminosos armados com machados e tacos de beisebol invadiram o Museu Cognacq-Jay e levaram sete caixas de rapé ricamente ornamentadas. Três delas pertenciam à coleção Rosalinde e Arthur Gilbert, atualmente sediada no museu londrino. Posteriormente, duas dessas peças foram recuperadas pela polícia e passaram por um processo de restauração antes de voltarem à exposição nas recém-reabertas Galerias Gilbert.

Roubos em museus são o pesadelo de qualquer curador”, escreveu Alice Minter, curadora sênior da coleção, ao relatar o impacto do episódio em publicação de blog. Segundo ela, os objetos passaram por uma “jornada incrível” até retornarem ao público.

Uma das caixas recuperadas tem ligação direta com a imperatriz Catarina II. Produzida em ouro e diamantes na década de 1760, a peça foi presenteada ao médico Thomas Dimsdale após ele imunizar a monarca e seu filho contra a varíola. Impressionada, Catarina concedeu a ele títulos nobres e o nomeou conselheiro de Estado. “Essa procedência torna a caixa absolutamente única no mundo”, escreveu Minter. “Pessoalmente, fiquei muito chateado com essa caixa depois da notícia do roubo.”

Caixa de rapé de Thomas Dimsdale, dada por Catarina II / Crédito: Divulgação/Museu Victoria & Albert

A segunda peça pertenceu a Frederico II da Prússia, e é feita de crisoprásio, decorada com diamantes e outras pedras preciosas. O rei era conhecido por sua extensa coleção de caixas de rapé — cerca de 300 — e tinha especial apreço por esse tipo de material. Seis exemplares feitos com a pedra ainda sobrevivem, segundo a Smithsonian Magazine.

Uma terceira caixa, decorada com um mosaico de duas pombas, segue desaparecida. Fabricada em Dresden por volta de 1780, a peça foi fruto da colaboração entre o ourives Johann Christian Neuber e o mosaicista Giacomo Raffaelli. Neuber era reconhecido por “[incorporar] painéis de pedra finíssimos, provenientes exclusivamente da Saxônia, em objetos com aplicações de ouro para criar padrões únicos”.

Caixas danificadas

Além de sua função prática — armazenar tabaco —, as caixas de rapé eram símbolos de status entre as elites do século 18. “Há quem leve esse refinamento ao ponto de trocar de caixas todos os dias. É por esse toque distintivo que se reconhece o homem de bom gosto”, escreveu o autor francês Louis Sébastien Le Mercier em 1782. “Quem tem 300 caixas e outros tantos anéis pode, com razão, dispensar uma biblioteca, uma coleção de história natural e pinturas.”

Durante o assalto, as duas peças recuperadas sofreram danos moderados. Na caixa associada a Frederico II, alguns diamantes se soltaram, mas foram recolocados. Já a peça ligada a Dimsdale teve o botão de abertura deformado e partes de sua estrutura comprometidas.

Danos na parte inferior da caixa de rapé de Frederico II, e fotografia após reparação / Crédito: Divulgação/Museu Victoria & Albert

Os restauradores optaram por uma abordagem cuidadosa, priorizando a preservação histórica. “Decidiu-se não remover os vestígios das ferramentas que os ladrões usaram para arrombar a caixa”, escreveu Minter. “Considerou-se que isso fazia parte da história da caixa, um objeto já único no mundo por sua fascinante procedência, e que não seria apropriado apagar todos os vestígios desse capítulo chocante.”

A Coleção Gilbert, formada a partir da década de 1960, reúne mais de 200 caixas de rapé e está abrigada no V&A desde 2008. Com a recente reabertura das galerias dedicadas ao acervo, em 14 de março, cerca de metade dessas peças está novamente acessível ao público, incluindo os artefatos que sobreviveram ao roubo e carregam agora não apenas séculos de história, mas também as marcas de um episódio contemporâneo.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.