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Cães conseguem sincronizar uivos com músicas, aponta novo estudo

Novo estudo publicado na revista Current Biology concluiu que alguns cães são capazes de ajustar o tom dos uivos para acompanhar músicas

Cão da raça samoieda - Crédito: Getty Images

Um estudo publicado na revista Current Biology indica que alguns cães são capazes de adaptar a altura de seus uivos para acompanhar sons ao redor — incluindo músicas humanas.

A pesquisa buscou entender se cães domésticos, especialmente raças mais antigas e geneticamente próximas dos lobos, ainda preservam a capacidade de modular o tom das vocalizações, como faziam seus ancestrais selvagens. Para isso, pesquisadores recrutaram tutores de animais que têm o costume de uivar em resposta a estímulos sonoros.

Os pesquisadores então utilizaram músicas com o tom alterado — três semitons acima e abaixo do original — e pediram aos donos que reproduzissem essas versões para os cães, registrando suas reações em vídeo. Vale destacar que os animais podiam deixar o ambiente a qualquer momento, garantindo que o comportamento observado fosse espontâneo.

O experimento

O experimento contou com quatro cães da raça samoieda e dois da raça shiba inu. Conforme destacou o portal Galileu, os resultados indicaram que três dos quatro samoiedas foram capazes de ajustar a altura de seus uivos para acompanhar as músicas, como “Believer”, do Imagine Dragons, e “Shallow”, de Lady Gaga e Bradley Cooper. Um deles, chamado Alfie, se destacou ao ir além do esperado: além de alterar o tom, também modificou aspectos mais complexos do som, como o centroide espectral, que revela onde está concentrada a energia acústica da vocalização.

Já os shiba inu apresentaram desempenho mais limitado. Nenhum conseguiu ajustar o tom dos uivos, embora um deles tenha alterado o centro espectral. Em nenhum dos casos, independentemente da raça, houve mudança na duração dos uivos.

Segundo os autores, a capacidade de ajustar a altura da voz pode ter evoluído de forma independente de habilidades mais sofisticadas de aprendizagem vocal. Em outras palavras, o controle flexível do tom pode surgir mesmo sem a necessidade de imitação complexa de sons.

Em humanos, por exemplo, é possível reproduzir tons sem treinamento musical formal. Agora, as evidências sugerem que alguns cães também compartilham dessa habilidade.

Na natureza, lobos utilizam variações de tom ao uivar em grupo, possivelmente para parecerem mais numerosos e intimidadores. O fato de cães domésticos ainda apresentarem esse comportamento indica que essa característica ancestral pode ter sido preservada ao longo da domesticação, ao menos em determinadas raças.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.