Análise de DNA revelou motivo da morte de 2 irmãos da família Médici há 500 anos
Testes de DNA em dois membros da família Médici revelou que, ao invés de envenenamento, foi a malária que os matou há 500 anos

A família Médici por muito tempo foi considerada uma das mais influentes e poderosas da Itália e da Europa. Conhecida principalmente por, no século 15, ter criado o maior banco da Europa, muitos boatos e casos misteriosos rondam a família.
Um desses mistério foram as mortes de dois irmãos e demais parentes no século 16. Naquela época Cosmo I havia tomado toda a Toscana sob a ordem de grão-duque. Mas em um curto período, de apenas 25 anos, ao menos 5 de seus familiares morreram — na época, foram considerados assassinatos por arsênico.
Para tirar a prova, pesquisadores desenterraram os ossos de dois filhos de Cosmo I, Cardeal Giovanni de Médici e o Grão-Duque Francesco I de Médici. Desse modo, identificaram o DNA de Plasmodium falciparum, parasita que causa a forma mais mortal de malária e que é transmitida por mosquitos.
As mortes na Família Médici
Conforme a Live Science, a família foi responsável pela implementação de numerosos duques, quatro papas e duas rainhas da França na sociedade da época — formando uma verdadeira dinastia europeia em mais de um Estado.
Porém, apesar das riquezas e influências, ao analisar o DNA dos ossos do Cardeal Giovanni — que morreu em 1562, no mesmo mês que sua mãe e seu irmão mais novo Garzia — e do Grão-Duque Francesco I, que morreu em 1587 junto com sua esposa, foi confirmado: todos foram vítimas da malária.
O estudo foi publicado na revista iScience no dia 17 de junho e revelou que as causas quase simultâneas das mortes foram a malária em sua pior forma. Assim, os pesquisadores quebraram toda a teoria que os outros irmãos os envenenaram por uma rixa de longa data.
Conforme os cientistas, havia um perigo maior que estava na rotina da família Médici, os passeios familiares nas áreas pantanosas da Toscana. Nesses ambientes há maior probabilidade de contaminação da P. falciparum, doença encontrada no corpo dos indivíduos.
Ademais, os médicos da época deixaram registrado que os irmãos tiveram “febre terciana”, um tipo de febre que retoma intensamente a cada 3 dias, marca registrada da malária. Não obstante, como método de cura foi utilizada a sangria nos irmãos, que só agravou o caso.
Contudo, nos ossos do Grão Duque também foram encontrados resquícios dão Plasmodium malariaeuma, uma espécie de parasita diferente que também causa malária em humanos e que se uniram para matar o governador. O co-autor do estudo, Valentina Giuffra, historiador médico da Universidade de Pisa, disse em um declaração: “Agora podemos dizer com certeza científica que a malária, e não o envenenamento, matou o Grão-Duque Francesco de Médici”.
*Sob supervisão de Éric Moreira