Trump quer Gianni Infantino, presidente da FIFA, no comando da ONU
O presidente dos Estados Unidos vê no dirigente esportivo um nome para suceder António Guterres na liderança das Nações Unidas até o fim deste ano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou interesse em indicar o atual presidente da FIFA, Gianni Infantino, para assumir o posto de secretário-geral das Nações Unidas (ONU). Segundo informações do jornal The New York Post, o mandatário norte-americano acredita que existe uma oportunidade clara para que um candidato “alternativo” e considerado por ele como “respeitado” assuma a chefia da organização internacional.
A movimentação ocorre em um cenário de transição, dado que o mandato do atual secretário-geral, o português António Guterres, encerra-se no dia 31 de dezembro.
Sucessão nas Nações Unidas
Para que qualquer indicação avance, o candidato vencedor precisa da aprovação do Conselho de Segurança da ONU, órgão composto por 15 membros. A relação entre Gianni Infantino e Donald Trump tornou-se particularmente pública após o retorno do republicano à Casa Branca, em janeiro de 2025, o que conferiu uma plataforma de poder institucional e visibilidade diplomática à amizade entre ambos.
Esse vínculo se consolidou durante a Copa do Mundo de 2026, sediada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá, período em que a dupla foi vista frequentemente dividindo palcos em conferências e premiações oficiais.
Honraria e influência política
No início de 2026, a proximidade entre os líderes foi selada quando Gianni Infantino atribuiu a Donald Trump o primeiro Prémio da Paz da FIFA. A própria entidade esportiva justificou a entrega da honraria como um reconhecimento a supostas “ações excecionais em prol da paz e da unidade”, embora a premiação tenha ocorrido em um contexto de fortes críticas sobre a neutralidade da federação.
O vínculo entre o dirigente e o político é classificado como controverso por observadores internacionais devido a episódios que sugerem o uso do aparato esportivo para fins de apoio político mútuo.
Intervenção nos gramados mundiais
A influência direta de Donald Trump sobre a gestão da FIFA ficou evidente durante o Mundial de 2026, no caso envolvendo o jogador Folarin Balogun. O atacante estrela da seleção norte-americana foi expulso após uma falta no bósnio Tarik Muharemović, recebendo uma suspensão que o tiraria de um jogo decisivo dos oitavos-de-final.
No entanto, a federação tomou a decisão surpreendente de anular a punição após o presidente dos Estados Unidos ligar pessoalmente para Gianni Infantino solicitando a revisão do caso. O episódio gerou forte repercussão, levando membros do Parlamento Europeu a exigirem uma investigação sobre o dirigente, enquanto a organização de direitos humanos FairSquare alegou que ele “violou repetidamente as regras do COI sobre neutralidade política ao oferecer o seu apoio político” ao líder republicano.
Defesa da autonomia institucional
Em resposta ao clamor público e aos questionamentos de membros do Parlamento Europeu, o presidente da FIFA defendeu a legalidade dos seus atos e a integridade da instituição. Em comunicado oficial, Gianni Infantino declarou que “a sua independência é essencial para a credibilidade e integridade do futebol, e esta deve ser sempre respeitada”.
Sobre o diálogo com o chefe de Estado, ele confirmou o contato telefônico:
“Durante a nossa conversa, expliquei que estava em curso um processo judicial envolvendo os órgãos judiciais independentes da FIFA e que o caso seria decidido na devida altura pelos órgãos competentes. É assim que funciona o sistema da FIFA, e é um princípio que defenderei sempre”.
*Sob supervisão de Éric Moreira