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Vídeo da Nasa mostra sobrevoo por Marte em alta definição durante missão Psyche

Imagens registradas durante manobra de assistência gravitacional também permitiram testar instrumentos científicos da espaçonave

Mosaico de cores realçadas, criada a partir de quatro imagens individuais adquiridas em 15 de maio de 2026, durante a passagem da Psyche por Marte. - Foto: NASA/JPL-Caltech/ASU/True Story Films

A Nasa divulgou, na última quinta-feira, 17, um vídeo com imagens registradas pela sonda espacial Psyche durante seu sobrevoo por Marte, realizado em maio. Além de revelar detalhes do planeta vermelho em alta definição, o registro marca uma etapa importante da missão, que utilizou a gravidade marciana para aumentar a velocidade da espaçonave e ajustar sua trajetória rumo ao asteroide Psyche, localizado no cinturão principal entre Marte e Júpiter. A chegada ao destino está prevista para agosto de 2029.

Segundo a agência espacial, a aproximação também serviu para testar os instrumentos científicos da missão, que funcionaram conforme o esperado e forneceram novas informações sobre Marte.

Sobrevoo permitiu testar equipamentos científicos

Uma imagem em núcleos falsos de Marte, utilizando dados capturados pela sonda Psyche da NASA durante sua passagem pelo planeta em 15 de maio de 2026. No canto superior direito, está a cratera Huygens, com seus anéis, medindo 470 km de diâmetro duplo. – Foto: NASA/JPL-Caltech/ASU

Entre os equipamentos avaliados durante a passagem está o espectrômetro de raios gama e nêutrons, que será utilizado para identificar os elementos químicos presentes na superfície do asteroide Psyche. O instrumento mede a radiação emitida naturalmente pelos materiais, incluindo raios gama e nêutrons.

Durante o sobrevoo por Marte, porém, a espaçonave passou a aproximadamente 4.609 quilômetros de altitude, distância considerada grande demais para detectar os raios gama emitidos pela superfície marciana. Ainda assim, no momento de maior aproximação, o equipamento registrou um aumento na taxa de contagem de nêutrons, resultado previsto pelos cientistas.

Outro instrumento colocado à prova foi o magnetômetro, utilizado desde o lançamento da missão, em 2023. O equipamento mede o campo magnético do asteroide e ajudará os pesquisadores a testar a hipótese de que Psyche seja o núcleo metálico remanescente de um planetesimal, um dos blocos fundamentais para a formação de planetas rochosos.

Segundo Ben Weiss, investigador principal adjunto da missão, à medida que a espaçonave se aproximava de Marte, o magnetômetro registrou um aumento intenso no campo magnético associado à região conhecida como choque de proa, onde o vento solar encontra o campo magnético do planeta. De acordo com o pesquisador, o teste validou o desempenho do instrumento em condições dinâmicas e também revelou aspectos importantes da física do magnetismo planetário.

Imagens revelam detalhes da superfície marciana

Durante a maior aproximação, os sistemas de imagem da Psyche registraram imagens detalhadas da superfície de Marte. Entre os elementos capturados estão crateras esculpidas pelo vento, a calota polar sul e a cratera Huygens, conhecida por seus anéis duplos.

As imagens deram origem ao vídeo em time-lapse divulgado pela Nasa e também serviram para testar a calibração e a sensibilidade dos equipamentos à luz difusa. Segundo Jim Bell, líder do instrumento de imagem da missão, os registros permitiram detectar as luas marcianas Fobos e Deimos a grande distância, funcionando como um treinamento para futuras buscas por satélites durante a exploração do asteroide Psyche.

Agora, a equipe compara as imagens obtidas pela espaçonave com dados coletados por outras missões que exploram Marte, como o Mars Reconnaissance Orbiter, o Mars Odyssey e os rovers Curiosity e Perseverance, repercute a Revista Galileu.

Enquanto isso, a sonda segue sua viagem rumo ao asteroide Psyche. Segundo Bob Mase, gerente do projeto no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, a assistência gravitacional realizada em Marte foi planejada durante anos e ocorreu exatamente como previsto, colocando a espaçonave na trajetória necessária para alcançar seu destino em 2029.


*Sob supervisão de Éric Moreira