Podemos tomar quantas xícaras de café por dia? Estudo responde
Nova pesquisa aponta que o consumo moderado de café pode beneficiar o coração, mas alerta para os riscos das bebidas energéticas; entenda!

Consumir até 400 miligramas de cafeína por dia — quantidade equivalente a aproximadamente cinco xícaras de café de 240 ml — permanece seguro para a maioria dos adultos e não está associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares. A conclusão faz parte de uma revisão científica publicada nesta segunda-feira, 20, na revista Circulation, da Associação Americana do Coração (AHA).
O documento reúne estudos recentes sobre os efeitos da cafeína no sistema cardiovascular e aponta que o consumo moderado de café não representa risco adicional ao coração para a maior parte da população. Ao mesmo tempo, os pesquisadores alertam que doses elevadas de cafeína, especialmente as encontradas em bebidas energéticas e produtos concentrados, podem provocar efeitos prejudiciais.
“A cafeína consumida no café é uma parte essencial da vida diária de milhões de pessoas e, para a maioria dos adultos, a ingestão de até 400 mg por dia é segura e não aumenta o risco cardiovascular”, afirmou, em comunicado, Gregory M. Marcus, professor de medicina da Universidade da Califórnia, em São Francisco, nos Estados Unidos, e presidente do grupo responsável pela pesquisa.
Os autores destacam que analisar o impacto da cafeína sobre o organismo exige cautela, já que a maior parte das pesquisas disponíveis avalia especificamente o consumo de café, bebida que reúne centenas de compostos além da cafeína.
Detalhes do estudo
Entre essas substâncias estão componentes que, em estudos experimentais, demonstraram propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Segundo os pesquisadores, esses elementos podem contribuir para explicar parte dos benefícios observados em pessoas que consomem café regularmente. Além disso, ingredientes frequentemente adicionados à bebida, como leite, creme, açúcar e xaropes, também podem influenciar seus efeitos sobre a saúde.
Após ser ingerida, a cafeína é metabolizada pelo fígado e costuma atingir sua concentração máxima no organismo em aproximadamente uma hora. Entretanto, esse processo varia conforme fatores como idade, genética, metabolismo individual e frequência de consumo. Algumas pessoas desenvolvem tolerância à substância com o uso contínuo, enquanto outras permanecem mais sensíveis aos seus efeitos.
No curto prazo, a cafeína pode provocar aumento temporário da pressão arterial, da frequência cardíaca, da glicemia e do estado de alerta. Em alguns indivíduos, também pode causar palpitações e alterações no padrão do sono.
Apesar desses efeitos imediatos, a revisão indica que o consumo moderado de café com cafeína está associado a menor risco de diferentes doenças cardiovasculares. Entre elas estão doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e fibrilação atrial. Os pesquisadores também apontam uma menor incidência de diabetes tipo 2 em parte dos consumidores avaliados.
Os autores ressaltam, contudo, que boa parte dessas conclusões é baseada em estudos observacionais, capazes de identificar associações entre hábitos e doenças, mas insuficientes para estabelecer relações diretas de causa e efeito.
A pesquisa também lembra que o café não é a única fonte de cafeína presente na alimentação. A substância também pode ser encontrada em chás, chocolates, refrigerantes, medicamentos e, principalmente, bebidas energéticas.
Esses produtos receberam atenção especial na revisão por apresentarem concentrações muito superiores às encontradas no café tradicional. Segundo os pesquisadores, algumas bebidas energéticas contêm entre 40 e 69 miligramas de cafeína a cada 30 ml, o equivalente a três ou quatro vezes mais do que a mesma quantidade de café comum.
De acordo com a análise, o consumo elevado dessas bebidas, especialmente em versões concentradas ou em dose única, foi associado ao aumento do risco de hipertensão arterial e arritmias cardíacas, repercute a Revista Galileu.
Diante desse cenário, os autores defendem que novas pesquisas sejam realizadas para aprofundar o conhecimento sobre os efeitos cardiovasculares de diferentes fontes de cafeína, especialmente produtos que não têm o café como base, como energéticos, suplementos alimentares e outras formulações concentradas.