Povos citas utilizavam cavalos no auge para ritos funerários
Restos de cavalos em cemitério dos povos citas, no sul da Rússia, revelam riqueza material e relação histórica com cavalos há 2.300 anos

Recentemente, um estudo publicado na revista Journal of Archaeological Science: Reports trouxe à tona uma revisão sobre os cavalos que os povos citas utilizavam para fazer seus ritos funerários.
Diferentemente de outras culturas em que apenas os cavalos velhos eram escolhidos para funerais e a alimentação, para esses povos citas os animais ideais deveriam ter entre 5 e 15 anos. Já cavalos com menos de 5 anos eram usados como oferendas e serviam de comida.
Esses indícios são de 38 a 41 cavalos que vêm do cemitério de kurgan Novo Zavedennoye-III, na região russa de Stavropol, por volta de 430 a 300 a. C.. Atualmente, a localidade é considerada um dos maiores grupos de restos de cavalos citas de todo o Norte do Cáucaso.
Os povos citas e os cavalos
Na maior parte das estepes da Eurásia, entre os séculos 8 e 3 a.C., os povos citas marcaram sua presença. Para essa população, o cavalo era essencial para o cotidiano, os utilizavam para trabalhar, caçar, se locomover, se alimentar, entre outras coisas.
Contudo, com o passar dos séculos, membros das elites passaram a enterrar alguns de seus cavalos durante ritos funerários.
De modo que, ainda que os citas não praticassem a escrita, as descobertas arqueológicas são as principais fontes de conhecimento de suas práticas.
Por isso, encontrar de 38 a 41 cavalos em poços funerários é extremamente valioso na descoberta das tradições culturais desse povo. Conforme o estudo, foram encontrados 175 ossos, 42 incisivos, 6 dentes caninos, 113 molares e pré-molares. Ou seja, informações riquíssimas sobre eles.
Os restos dos cavalos vieram majoritariamente de três origens: as valas circundantes; os montes de terra e os poços funerários. Porém, para descobrir exatamente qual era a idade dos animais, os cientistas utilizaram diversos métodos.
Dentre eles está a contagem das camadas dos dentes, medição da altura da coroa dentária, desgaste dos dentes da frente e até mesmo as taxas de crescimento ósseo. Assim, os pesquisadores conseguiram um panorama geral sobre esses animais.
Os ritos funerários e revelações
Surpreendentemente, os estudiosos encontraram apenas um cavalo com mais de 20 anos. Pois a grande maioria dos outros foram mortos entre 5 e 15 anos, representando cerca de 75% das ossadas.
Já os mais jovens apareciam em covas funerárias, como se tivessem sido utilizados como oferenda ou despedida durante as refeições.
Fato é que a possibilidade de matar cavalos adultos dessa forma é símbolo de uma sociedade luxuosa que prezava e cuidava de seus rebanhos. Pois ter animais suficientes para sacrificar adultos saudáveis em vez de velhos cavalos de trabalho aponta para a riqueza e a posição social.
Inclusive, vale destacar que ainda que todo o povo Cita cultive relações culturais íntimas com os cavalos, essa localidade difere de outros locais. Por exemplo: as Montanhas Altai geralmente incluem animais muito mais velhos.
Não obstante, outros artefatos como cerâmicas gregas, estelas de pedra, joias da Cólquida e objetos decorados no estilo animal cita foram encontrados. Mas esse estudo escolheu focar na relação cultural cita com os cavalos.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli