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Moedas de ouro achadas sob altar salvam igreja de 700 anos na Inglaterra

Descoberta de nove moedas de ouro escondidas sob o altar arrecadou quase 30 mil libras e deu novo fôlego à igreja medieval, que enfrentava risco de fechar as portas

Fotografia da Igreja de São Wilfrid / Crédito: Divulgação/Igreja de São Wilfrid em Melling

Uma descoberta inesperada transformou a situação de uma pequena igreja medieval no norte da Inglaterra que corria risco de fechar as portas. Pouco antes da Páscoa, a reverenda Jane Lee encontrou uma caixa contendo nove moedas de ouro escondida sob o altar da igreja de St. Wilfrid, em Melling, no condado de Lancashire, oferecendo novo fôlego aos esforços para preservar o edifício histórico.

Na ocasião, Lee e um paroquiano preparavam a igreja para um dos que poderia ser seus últimos cultos. A congregação, formada por apenas cinco pessoas, enfrentava dificuldades para custear obras consideradas urgentes, estimadas em cerca de 750 mil libras (mais de R$ 5 milhões, na cotação atual).

Durante a remoção da parte frontal do altar, a reverenda percebeu um saco plástico preso sob um genuflexório. “Ao retirarmos a parte frontal do altar, o genuflexório estava embaixo e notei um saco plástico preso ali”, disse a reverenda Jane Lee ao jornal The Times de Londres. “Quando o retiramos, havia uma caixa dentro com um bilhete.”

Moedas antigas

Dentro da caixa estavam nove moedas Britannia de ouro, cunhadas pela Casa da Moeda Real em 1999. Cada uma possuía valor facial de 100 libras. Junto às moedas havia um bilhete, datado de 16 de julho de 2022 e escrito em papel timbrado do Exército da Salvação.

“Olá, gostaria de doar estas nove moedas de ouro Britannia para a igreja de Melling — o saco plástico identifica um negociante de metais preciosos.” O texto era assinado apenas como: “James, servo do Deus vivo.”

Segundo Lee, a descoberta causou forte emoção. “Ficamos ambos absolutamente estupefatos”, disse Lee ao Times. “Não conseguíamos acreditar. Ambos caímos em lágrimas. Sabe, foi como um milagre.”

Antes da descoberta, a igreja de St. Wilfrid passava por um processo de encerramento das atividades. Sem recursos para financiar a restauração do telhado e de outras estruturas do edifício histórico, a manutenção do templo havia se tornado inviável.

“Estávamos com dificuldades para manter as portas abertas”, disse Lee à BBC News. A igreja estava “numa situação bastante delicada”.

A igreja de St. Wilfrid possui aproximadamente 700 anos de existência. Construída por volta de 1300, durante o reinado de Eduardo I, conhecido como Eduardo Pernas Longas, ela apresenta estrutura de alvenaria, vitrais, torre sineira e um cemitério adjacente. Segundo os registros históricos, o local provavelmente já abrigava uma igreja antes mesmo da Conquista Normanda, ocorrida em 1066.

Embora a descoberta das moedas tenha chamado atenção, ela não representa um caso isolado. De acordo com um funcionário da igreja local citado pelo Times, outras três igrejas e uma escola da região também receberam doações semelhantes de moedas na mesma época. Apesar disso, a identidade do benfeitor permanece desconhecida.

“Não tenho a menor ideia”, afirmou Lee ao Times ao comentar quem poderia ser o responsável pela doação.

Recuperação da igreja

As nove moedas foram posteriormente vendidas pela congregação por pouco menos de 30 mil libras, o equivalente a cerca de 204 mil reais. Embora o valor represente apenas uma pequena parcela do total necessário para restaurar o edifício, os responsáveis pela igreja consideram a doação um ponto de partida para a recuperação do templo. Lee classificou o recurso obtido como uma “semente”, em declaração à BBC News.

Após a divulgação da história, um grupo voltado à preservação do patrimônio histórico foi criado para apoiar a arrecadação de recursos destinados à restauração da igreja. A expectativa é que a repercussão da descoberta incentive novas doações e fortaleça o envolvimento da comunidade na preservação do edifício centenário, segundo a Smithsonian Magazine.

“Agora não é apenas a pequena congregação que está lutando para que isso aconteça”, disse Lee ao Telegraph. “Temos uma comunidade maior nos apoiando e disposta a ajudar.”

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.