Ferramentas de 18 mil anos podem redefinir origem dos americanos
Descoberta de ferramentas no Oregon indica que humanos ocuparam a América do Norte milhares de anos antes do previsto

Uma descoberta arqueológica realizada nas montanhas do estado do Oregon, nos Estados Unidos, pode alterar profundamente o entendimento sobre quando os primeiros seres humanos chegaram à América do Norte. Pesquisadores identificaram evidências de ocupação humana através de vferramentas com cerca de 18.250 anos de idade em um abrigo rochoso conhecido como Rimrock Draw, período muito anterior ao aceito durante décadas pela comunidade científica.
Caso a datação seja confirmada por revisões independentes, o sítio arqueológico passará a figurar entre os mais antigos das Américas. A estimativa também coloca a ocupação humana da região em uma época aproximadamente quatro vezes mais antiga que a construção da Grande Pirâmide de Gizé, no Egito.
A equipe da Universidade do Oregon encontrou duas ferramentas cuidadosamente produzidas em ágata alaranjada, um tipo de quartzo, soterradas abaixo de uma camada de cinzas vulcânicas deixadas por uma antiga erupção do Monte St. Helens, ocorrida há mais de 15 mil anos. Ao lado dos instrumentos estavam fragmentos de dentes de bisões e camelos extintos, cujo esmalte foi submetido à datação por radiocarbono e apontou uma idade aproximada de 18.250 anos.
Como as ferramentas estavam abaixo da camada de cinzas e dos restos datados, os pesquisadores concluíram que elas podem ser ainda mais antigas. Um dos raspadores de pedra preservava vestígios de sangue de bisão, indicando que provavelmente foi utilizado no processamento da carne do animal antes de ser descartado.
Ferramentas revolucionárias
Segundo repercutiu o Daily Mail, David Lewis, professor de antropologia da Universidade Estadual do Oregon e integrante da pesquisa, defendeu que os resultados também dialogam com tradições orais preservadas por povos indígenas da região. Diversas comunidades relatam, em suas narrativas ancestrais, acontecimentos geológicos de grande escala, como as enchentes de Missoula, além de encontros com animais gigantes da megafauna, que podem ter inspirado personagens presentes em suas histórias.
Os dados da pesquisa foram divulgados inicialmente em 2023, mas voltaram a ganhar repercussão recentemente após serem destacados pelo canal Blood Memory, especializado em arqueologia e nas origens dos primeiros povos.
A descoberta reforça uma hipótese que vem ganhando força nos últimos anos: a de que grupos humanos chegaram às Américas muito antes dos cerca de 13 mil anos tradicionalmente aceitos, provavelmente seguindo a costa do Pacífico em vez de atravessar um corredor livre de gelo entre a Ásia e a América do Norte.
Outra pesquisa conduzida no Oregon também vem contribuindo para essa revisão histórica. No início deste ano, arqueólogos anunciaram a descoberta de roupas, cestos trançados, armadilhas de madeira e outros artefatos confeccionados há cerca de 12 mil anos. Encontrados em cavernas extremamente secas da região do Grande Deserto da Bacia, os objetos permaneceram preservados por milênios e revelam que os habitantes da América do Norte dominavam técnicas sofisticadas de costura, cestaria e aproveitamento de materiais vegetais e animais muito antes do surgimento das primeiras grandes civilizações.