Notícias / Arqueologia

Manuscritos do Mar Morto: o “tesouro” ainda não identificado

Único texto dos Manuscritos do Mar Morto descreve dezenas de esconderijos de ouro e prata, mas permanece indecifrado

Manuscritos Mar Morto
Os Manuscritos do Mar Morto, descobertos em cavernas próximas à Cisjordânia entre 1947 e 1956 - Divulgação

Enquanto pesquisadores europeus iniciam um ambicioso projeto para determinar com maior precisão a idade e a origem dos Manuscritos do Mar Morto, um dos documentos mais intrigantes da coleção deve continuar resistindo às análises científicas. Trata-se do famoso Pergaminho de Cobre, uma peça única que, diferentemente dos demais manuscritos, não foi escrita em papiro ou pergaminho, mas em uma fina lâmina de cobre.

O novo estudo, financiado pelo Conselho Europeu de Pesquisa com um investimento de 2,5 milhões de euros, será liderado pelo professor Mladen Popovic, da Universidade de Groningen, na Holanda. Ao longo dos próximos cinco anos, a equipe pretende examinar cerca de 250 amostras dos Manuscritos do Mar Morto utilizando análises químicas, inteligência artificial, paleografia e codicologia. O objetivo é reconstruir a origem geográfica e cultural dos textos, descobertos entre 1947 e 1956 em 11 cavernas próximas a Khirbet Qumran, às margens do Mar Morto.

Os manuscritos reúnem os exemplares mais antigos conhecidos de diversos livros da Bíblia Hebraica, além de uma extensa coleção de escritos judaicos. Apesar de décadas de pesquisas, ainda não há consenso sobre onde esses documentos foram produzidos ou copiados.

O Pergaminho de Cobre

Segundo Ilit Cohen-Ofri, da Autoridade de Antiguidades de Israel, os materiais utilizados na confecção dos manuscritos — como pergaminho, papiro e tinta — preservam informações valiosas capazes de revelar detalhes inéditos sobre sua produção. No entanto, essa metodologia não poderá ser aplicada ao Pergaminho de Cobre justamente por causa de seu material incomum.

Encontrado em 1952, o artefato estava tão corroído e enrolado que especialistas levaram cinco anos para conseguir abri-lo. A solução foi cortar cuidadosamente o cilindro metálico em várias tiras, permitindo finalmente a leitura do texto. A surpresa foi imediata: em vez de um manuscrito religioso, o documento apresentava uma longa lista de locais onde estariam escondidos tesouros compostos por ouro, prata, moedas e utensílios preciosos.

A interpretação do texto, entretanto, permanece um enorme desafio. Embora tenha sido escrito em hebraico, grande parte do vocabulário utilizado não aparece em outros documentos conhecidos da Antiguidade, tornando a tradução extremamente complexa. Além disso, muitos dos locais mencionados não puderam ser identificados com segurança.

Entre as principais hipóteses está a de que o documento registre um tesouro pertencente ao Templo de Jerusalém, escondido antes da destruição da cidade pelos romanos, no ano 70 d.C. Outros estudiosos defendem que as riquezas poderiam estar ligadas à comunidade que habitava Qumran.

Até hoje, nenhum dos supostos esconderijos foi confirmado. O pergaminho descreve entre mais de 60 locais diferentes, mas não há evidências de que qualquer tesouro tenha sido encontrado. Ainda assim, pesquisadores acreditam que o uso do cobre pode ter sido intencional, já que o material ofereceria maior resistência ao tempo e aumentaria as chances de o mapa sobreviver por séculos. Seja um registro histórico, uma lista simbólica ou um mapa real, o Pergaminho de Cobre continua sendo um dos maiores enigmas da arqueologia bíblica.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.