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Relíquia do universo: Cometa 3I/ATLAS é três vezes mais velho que a Terra

Astrônomos identificam que o visitante interestelar se formou em um sistema estelar primitivo muito antes do nascimento do nosso Sol e dos planetas

Cometa 3I/Atlas
Uma fotografia da Nasa do cometa interestelar 3I/Atlas, tirada no domingo, quando o cometa estava a 277 milhões de milhas da Terra. - Fotografia: Nasa/ESA/Hubble/AFP/Getty

Cientistas revelaram pela primeira vez a idade real do misterioso cometa interestelar 3I/ATLAS, um objeto que chamou a atenção global ao cruzar o nosso Sistema Solar no final do ano passado. De acordo com novas observações realizadas com o auxílio do Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul, este visitante é uma relíquia espacial formada há bilhões de anos, sendo aproximadamente três vezes mais antigo que o planeta Terra.

Origens em sistema antigo

Diferente dos corpos celestes que orbitam o nosso Sol, o 3I/ATLAS possui uma composição química única que permitiu determinar sua longevidade. Conforme reportado pelo veículo Daily Mail, pesquisadores analisaram as proporções de isótopos de carbono e nitrogênio em moléculas de cianeto presentes no gás que envolve o cometa. Segundo Aravind Krishnakumar, pesquisador da Universidade de Liège e coautor do estudo, o visitante apresenta proporções isotópicas de carbono e nitrogênio excepcionalmente altas em comparação com os cometas locais.

Essa assinatura química sugere que o objeto se formou nas regiões externas de uma estrela ancestral de baixa metalicidade, um tipo de astro que surgiu quando o universo ainda era jovem e pobre em elementos químicos pesados. “O campo dos objetos interestelares ainda é muito recente e não sabemos bem o que esperar. Cada vez que um novo é descoberto, temos novas surpresas”, afirmou a pesquisadora Cyrielle Opitom, vinculada à Universidade de Edimburgo.

Fim do mistério alienígena

A passagem do 3I/ATLAS inicialmente gerou especulações sobre uma possível origem artificial, alimentando temores de uma sonda alienígena. No entanto, a NASA agiu rapidamente para esclarecer a natureza do corpo celeste. Em declaração oficial da época, Amit Kshatriya, um alto funcionário da agência espacial, foi enfático: “Queremos muito encontrar sinais de vida no universo, mas o 3I/ATLAS é um cometa”.

Janela para o passado

Para a comunidade científica, o 3I/ATLAS representa uma oportunidade rara de estudar a química de outros sistemas planetários. A pesquisadora Rosemary Dorsey, da Universidade de Helsinque, explicou que o cometa permitiu investigar um sistema que se formou muito antes do nascimento do Sol. Atualmente o objeto está se afastando e perdendo brilho, o que limita novas observações imediatas, mas deixa um legado de conhecimento sobre as origens do cosmos.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Meu propósito é dar voz a narrativas.