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Nova espécie de “cão-urso” é descoberta após 16 milhões de anos

Fósseis encontrados na Catalunha revelaram uma nova espécie de cão-urso que viveu há cerca de 16 milhões de anos no Mioceno

Ilustração de um Cão-Urso - Reprodução: YouTube/Paramoloch Games

Cientistas identificaram uma nova espécie de cão-urso que habitou a atual região da Catalunha, na Espanha, há aproximadamente 16 milhões de anos. A descoberta foi feita a partir de fósseis encontrados em um antigo ambiente de lagos e áreas úmidas no sítio paleontológico de Els Casots, localizado em Subirats, na bacia de Vallès-Penedès.

O achado amplia o conhecimento sobre a fauna do Mioceno e ajuda os pesquisadores a reconstruir como era a paisagem da região muito antes de assumir as características atuais. Além disso, a descoberta contribui para compreender a evolução dos anficiônidos, grupo extinto de mamíferos carnívoros que ficou conhecido popularmente como “cães-ursos”.

Os fósseis permitiram aos cientistas descrever oficialmente a nova espécie, batizada de Paludocyon moyasolai.

Um predador que não era nem cão, nem urso

Apesar do nome popular, o cão-urso não pertence aos cães modernos nem aos ursos atuais. A denominação faz referência apenas à aparência do animal e ao parentesco distante com um grupo extinto conhecido como Amphicyonidae, formado por mamíferos carnívoros que viveram em diferentes regiões do planeta durante o Cenozoico.

A nova espécie foi identificada a partir de um crânio comprimido, mas que preservava boa parte da dentição, além de um molar inferior isolado. Esses fósseis permitiram aos pesquisadores comparar sua anatomia com a de outros carnívoros fósseis encontrados anteriormente na Europa e na América do Norte.

As diferenças observadas foram suficientes para confirmar que se tratava de uma espécie até então desconhecida pela ciência.

Dentes revelaram uma nova espécie

Os dentes desempenharam papel fundamental na identificação do animal.

Segundo os pesquisadores, os molares apresentavam proporções incomuns, principalmente um segundo molar superior mais largo que o primeiro e um terceiro molar relativamente grande. Essa combinação de características não havia sido registrada em outras espécies conhecidas do gênero Paludocyon.

Na paleontologia, detalhes da dentição fornecem informações importantes sobre dieta, adaptação e relações evolutivas entre os animais. Neste caso, as diferenças anatômicas sustentaram a criação de uma nova espécie.

Fóssil ajuda a reconstruir o Mioceno

Esqueleto do Megatheurus – Reprodução: YouTube/Paramoloch Games

A descoberta ocorreu em Els Casots, um dos sítios paleontológicos mais importantes da região do Penedès. O local preserva milhares de fósseis de animais que viveram em um ambiente quente e úmido, marcado por lagos rasos, vegetação abundante e grande diversidade de vertebrados.

Entre os fósseis encontrados na área estão restos de mamíferos, répteis e diferentes grupos de carnívoros primitivos, permitindo reconstruir com maior precisão os ecossistemas que existiam durante o Mioceno.

Segundo os pesquisadores, o Paludocyon moyasolai provavelmente era um predador de porte médio e mais ágil do que outros anficiônidos de grande porte conhecidos pelos cientistas. Sua dentição indica que era capaz de consumir carne e partes mais resistentes das presas.

Esse antigo ambiente reunia pequenos herbívoros, felinos primitivos, mustelídeos, crocodilos de pequeno porte e diversos outros animais adaptados às áreas úmidas, formando um ecossistema complexo e bastante diferente da paisagem atual da Catalunha.

Nome homenageia pesquisador catalão

O nome científico da nova espécie também guarda uma homenagem.

O termo Paludocyon faz referência ao antigo ambiente pantanoso onde o animal viveu, podendo ser interpretado como “cão dos pântanos” ou “cão das áreas úmidas”. Já o epíteto moyasolai homenageia o paleontólogo catalão Salvador Moyà-Solà, reconhecido por sua contribuição às pesquisas sobre mamíferos fósseis e por seu trabalho nas primeiras escavações realizadas em Els Casots.

Para os cientistas, a descoberta reforça a importância dos fósseis como registros da evolução da vida na Terra. Muito além de ossos preservados, eles ajudam a revelar antigas paisagens, mudanças ambientais e a diversidade de espécies que habitaram o planeta milhões de anos antes do surgimento dos seres humanos.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes