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James Webb registra galáxia em seus últimos momentos

Observações do telescópio James Webb revelam uma galáxia perdendo o gás necessário para formar estrelas

Imagem ilustrativa - Getty Images

Astrônomos identificaram uma galáxia massiva que parece estar passando por um dos momentos mais importantes de sua evolução: o processo de deixar de formar novas estrelas. As observações indicam que ela está sendo gradualmente privada do gás frio que alimenta o nascimento estelar, tornando-se uma forte candidata a integrar o grupo das chamadas “galáxias mortas”.

Segundo informações divulgadas pelo Olhar Digital, a descoberta foi realizada com dados dos telescópios espaciais James Webb e Hubble. O estudo, que ainda aguarda revisão por pares, foi disponibilizado na plataforma científica arXiv e pode ajudar a explicar por que algumas das maiores galáxias do Universo deixaram de produzir estrelas muito cedo na história cósmica.

A protagonista da pesquisa é a galáxia C26, integrante do aglomerado em formação SPT2349-56, uma região extremamente compacta do Universo primitivo que reúne cerca de 30 galáxias ativas.

As observações mostram que a C26 apresenta um formato incomum, semelhante ao de um cometa. Ela possui uma região frontal bastante densa, descrita pelos pesquisadores como uma “cabeça”, seguida por uma longa cauda que se estende na direção do centro do aglomerado.

Esse detalhe chamou a atenção dos astrônomos porque forneceu pistas importantes sobre o fenômeno responsável pela transformação da galáxia.

Para compreender o comportamento da C26, a equipe liderada por Dazhi Zhou, da Universidade da Colúmbia Britânica, analisou imagens obtidas pelos telescópios James Webb e Hubble.

Os pesquisadores estudaram tanto a distribuição de massa quanto as propriedades relacionadas à formação estelar em diferentes regiões da galáxia.

A análise revelou que a parte principal da C26 concentra aproximadamente 22 bilhões de massas solares, enquanto sua longa cauda, incluindo uma região mais densa chamada de “nó”, possui cerca de 6 bilhões de massas solares.

O aspecto mais surpreendente surgiu ao calcular a quantidade de gás frio disponível para gerar novas estrelas. Embora dezenas de bilhões de massas solares desse material ainda existam, mais da metade já não permanece dentro da galáxia.

Em vez disso, o gás foi removido e hoje está disperso ao longo da extensa cauda, tornando-se difuso e estável demais para participar do processo de formação estelar.

Ambiente pode estar “sufocando” a galáxia

Os cientistas avaliaram duas hipóteses para explicar essa perda de gás.

A primeira seria uma colisão ou fusão entre galáxias, fenômeno capaz de alterar profundamente sua estrutura. Entretanto, essa possibilidade foi descartada porque o único objeto próximo, o chamado “nó” presente na cauda, não teria massa suficiente para remover tamanha quantidade de gás por influência gravitacional.

A segunda hipótese mostrou-se muito mais consistente com as observações: o chamado ram-pressure stripping.

Nesse processo, a galáxia atravessa um ambiente extremamente denso dentro do aglomerado e sofre uma intensa pressão exercida pelo meio intergaláctico. Esse efeito atua como um vento poderoso que vai arrancando o gás da galáxia enquanto ela se desloca.

Diversos indícios reforçam essa interpretação. O gás apresenta um movimento contínuo e suave, sem características típicas de um material arrancado durante uma colisão. Além disso, a cauda aponta exatamente para o centro do aglomerado, comportamento esperado quando o gás é deixado para trás durante esse deslocamento.

James Webb registra momento raro

Os pesquisadores acreditam que a C26 esteja sendo observada em uma fase intermediária de sua evolução.

Embora ainda produza novas estrelas, a galáxia já perdeu boa parte do combustível responsável por alimentar esse processo. Com o passar do tempo, a tendência é que a formação estelar diminua até cessar completamente, fenômeno conhecido pelos astrônomos como quenching.

Segundo os autores do estudo, a C26 representa justamente essa etapa de transição, na qual a maior parte do reservatório de gás frio já foi removida pelo ambiente externo, enquanto sua região principal ainda não se tornou completamente inativa.

Além disso, outras galáxias presentes no mesmo aglomerado também demonstram sinais semelhantes de empobrecimento de gás. Isso sugere que o mesmo mecanismo pode estar transformando diversas galáxias simultaneamente e ajudando a explicar por que tantas estruturas massivas interromperam a formação de estrelas ainda nos primeiros bilhões de anos do Universo.