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A impressionante estatueta de lhama de 600 anos encontrada nos Andes

Pequena escultura metálica de camelídeo era usada em rituais incas; peça surpreende pela riqueza de detalhes

Estatueta inca encontrada no Peru - Crédito: Divulgação/Metropolitan Museum of Art

Alguns artefatos arqueológicos surpreendem pela riqueza de detalhes, mesmo quando cabem na palma da mão. É o caso de uma pequena escultura metálica de um camelídeo produzida pelos incas há cerca de 600 anos. Com apenas 5,1 centímetros de altura, a peça representa, muito provavelmente, uma lhama (Lama glama), embora alguns especialistas considerem que ela também possa retratar uma alpaca (Vicugna pacos). Em ambos os casos, estamos falando de espécies que foram domesticadas pelos povos andinos.

A estatueta fazia parte das chamadas huacas, que, como explica o portal Live Science, é era um termo usado pelos incas para designar seres, lugares ou mesmo objetos considerados sagrados. Hoje preservada na coleção do Metropolitan Museum of Art, em Nova York, a peça foi confeccionada com uma liga de prata, ouro e cobre. Após a fundição, um artesão esculpiu cuidadosamente detalhes como os olhos, as narinas, os cascos e até uma discreta expressão que lembra um sorriso.

As lhamas e o Império Inca

Lhamas e alpacas desempenhavam um papel indispensável na economia e na vida cotidiana do Império Inca. Além de servirem como animais de carga para o transporte de mercadorias pelas montanhas dos Andes, forneciam carne para alimentação, lã para a confecção de roupas, couro para calçados e ossos utilizados na fabricação de instrumentos musicais. Até mesmo as fezes eram aproveitadas como combustível e fertilizante, enquanto a gordura possuía aplicações medicinais. Contudo, sua importância ia muito além do aspecto prático: esses animais também desempenhavam uma função central nas cerimônias religiosas.

Os pesquisadores acreditam que a pequena escultura tenha sido produzida para integrar o ritual conhecido como capac hucha, expressão em quéchua que significa “obrigação real”. Realizada em Cusco, capital do Império Inca, a cerimônia marcava acontecimentos considerados decisivos, como a morte de um governante, períodos de seca ou a expansão dos domínios imperiais. Nessas ocasiões, eram oferecidos sacrifícios de lhamas, milho e, em alguns casos, crianças, em homenagem às divindades.

Artefatos semelhantes

Escavações arqueológicas realizadas em antigos locais de capac hucha revelaram diversas figuras confeccionadas em metal e conchas, muitas delas adornadas com tecidos e penas e consideradas portadoras de poder sagrado. Um dos exemplos mais impressionantes foi encontrado junto às chamadas “Crianças de Llullaillaco”. Surpreendentemente, uma dessas múmias infantis descobertas em 1999 havia sido enterrada acompanhada por 11 pequenas figuras de camelídeo.

É interessante mencionar que essa forte ligação entre os incas e as lhamas sobreviveu ao tempo e chegou até mesmo ao mundo das animações. Se você já assistiu “A Nova Onda do Imperador” (2000), da Disney, deve se lembrar da história de Kuzco, um imperador que é transformado justamente em uma lhama.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.