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Submarinos nazistas: o estrago dos U-Boats na Segunda Guerra

Com a ação dos U-Boats, a guerra teve média de mais de nove navios afundados por dia e provocou a morte de cerca de 600 mil marinheiros

U-boats capa
U-Boats nazistas usados na Segunda Guerra Mundial - Domínio Público

Em tempos de paz, o afundamento de um navio de médio ou grande porte é um acontecimento extremamente raro. A estimativa é de que a chance de uma embarcação desse porte naufragar seja de uma em 68 mil. Considerando que atualmente cerca de 120 mil navios — entre mercantes, militares e de passageiros — cruzam mares e oceanos, a expectativa seria de apenas dois afundamentos por ano.

Durante a Segunda Guerra Mundial, entretanto, essa realidade foi completamente transformada. O conflito provocou uma destruição sem precedentes nas rotas marítimas, resultando no afundamento de aproximadamente 20 mil embarcações. Isso representa uma média de 9,4 navios perdidos por dia ao longo da guerra, totalizando mais de 50 milhões de toneladas enviadas ao fundo do mar e cerca de 600 mil marinheiros mortos. Em alguns naufrágios, sobreviventes acabaram sendo atacados por tubarões enquanto aguardavam resgate.

Os números, porém, não são absolutos. Muitos levantamentos substituem o termo “naufrágio” por “desastre marítimo”, já que diversas embarcações não chegaram a afundar completamente. Em algumas estatísticas, a classificação considera apenas acidentes que resultaram em pelo menos 100 mortes.

Grande parte dessa devastação teve como protagonista a frota de U-boats, os submarinos da Marinha alemã. Operando principalmente no Oceano Atlântico, essas embarcações tornaram-se uma das armas mais eficazes do regime nazista ao atacar comboios que transportavam alimentos, combustíveis, armamentos e tropas para os Aliados. Utilizando ataques surpresa, muitas vezes durante a noite, os submarinos buscavam interromper o abastecimento da Grã-Bretanha e enfraquecer a capacidade de resistência dos adversários.

Também há casos que dificultam a contabilização das perdas. No fim da guerra, por exemplo, 51 navios da frota alemã foram deliberadamente afundados pelos próprios nazistas nas ilhas Orcadas, ao norte da Escócia, para impedir que fossem capturados pelos Aliados. O episódio é considerado a maior perda de embarcações de guerra em um único momento da história. Outro fator que contribui para a imprecisão dos dados é o desaparecimento de cerca de 200 navios e submarinos, além da omissão de operações militares que alguns países jamais reconheceram oficialmente por violarem leis internacionais.

Levantamentos da História Naval da Segunda Guerra Mundial, da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, do Museu da Marinha e do Heritage Command mostram que a Alemanha liderou com folga o número de embarcações inimigas afundadas. A eficiência da marinha alemã contrasta com a percepção popular de que a principal força militar nazista era exclusivamente a Luftwaffe, sua aviação de guerra. Na prática, tanto a frota de submarinos quanto os navios de superfície desempenharam papel decisivo na destruição das linhas de abastecimento dos Aliados.

Os dados também revelam que as forças navais das potências do Eixo ocuparam os três primeiros lugares entre os países que mais afundaram embarcações inimigas, evidenciando a dimensão da guerra travada nos mares durante o maior conflito do século XX.


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