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Islândia retoma caça comercial de baleias após dois anos

Retomada da atividade reacende críticas de ambientalistas e ocorre enquanto governo promete discutir o fim definitivo da prática

Imagem ilustrativa, baleia capturada - Getty images

A Islândia voltou a realizar a caça comercial de baleias nesta semana, encerrando um período de dois anos sem capturas da espécie. A retomada reacendeu uma das maiores controvérsias ambientais do mundo e provocou reações imediatas de organizações internacionais de proteção animal, que classificaram a prática como cruel e injustificável.

O início da temporada de caça de 2026 foi marcado pelo abate de duas baleias-fin pela embarcação Hvalur 9, que deixou o porto de Reykjavik e levou os animais até uma estação de processamento localizada em Hvalfjörður. O retorno do navio com as baleias foi confirmado pela emissora pública islandesa RÚV.

As mortes representam os primeiros registros de caça comercial de baleias-fin na Islândia desde 2023. Embora a empresa Hvalur hf. tenha mantido licenças válidas durante 2024 e 2025, nenhuma captura da espécie havia sido realizada nesses dois anos.

Licença continua válida apesar de proposta do governo

A retomada ocorre em meio a um cenário político considerado incerto. O governo islandês já anunciou que pretende apresentar ainda este ano um projeto de lei para colocar fim à caça comercial de baleias no país.

Apesar dessa intenção, a atividade continua autorizada graças a uma licença de cinco anos concedida em 2023. Enquanto essa autorização permanecer em vigor, a empresa responsável poderá continuar operando normalmente durante as temporadas de caça.

Para 2026, a cota oficial permite o abate de até 150 baleias-fin e 168 baleias-minke.

A baleia-fin, alvo das primeiras capturas da temporada, é considerada o segundo maior animal do planeta, ficando atrás apenas da baleia-azul. A espécie está classificada como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), categoria que indica elevado risco de extinção na natureza.

Ambientalistas condenam retomada da atividade

A decisão provocou críticas imediatas de organizações internacionais dedicadas à conservação dos oceanos e à proteção da vida marinha.

A diretora de Conservação Marinha do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW), Sharon Livermore, afirmou que a retomada representa um grande retrocesso para os esforços de preservação da espécie.

Segundo ela, as duas baleias abatidas nesta semana provavelmente representam apenas o início de uma nova temporada de capturas, frustrando a expectativa de que a Islândia pudesse abandonar definitivamente essa atividade.

A organização OceanCare também condenou a retomada das operações e criticou a decisão da empresa responsável pela caça de voltar a atuar mesmo diante do aumento da oposição da própria população islandesa.

Segundo a entidade, mais de metade dos islandeses atualmente se posiciona contra a continuidade da caça comercial de baleias.

Mercado enfrenta queda na demanda

Além das críticas ambientais, a atividade também enfrenta dificuldades econômicas.

O principal destino da carne de baleia produzida na Islândia é o Japão. No entanto, a demanda diminuiu desde que o próprio país ampliou sua atividade baleeira e aumentou sua capacidade de processamento, reduzindo a necessidade de importações.

De acordo com a revista Oceanographic, a interrupção das operações durante os dois anos anteriores ocorreu, em parte, por causa dessa redução na demanda e também pelas dificuldades econômicas enfrentadas pelo setor, que tornaram a atividade menos lucrativa.

Mesmo assim, a Islândia permanece ao lado da Noruega e do Japão como um dos únicos países que ainda autorizam oficialmente a caça comercial de baleias, contrariando a moratória internacional estabelecida pela Comissão Internacional da Baleia (IWC) em 1986.

Bem-estar animal permanece no centro da polêmica

Imagem ilustrativa, baleia capturada – Getty images

Além das preocupações relacionadas à conservação das espécies, organizações ambientalistas continuam denunciando o sofrimento causado pelo método utilizado na caça.

A captura comercial é realizada com arpões dotados de pontas explosivas. No entanto, estudos oficiais apontam que a morte nem sempre ocorre de forma imediata.

Dados referentes à temporada de 2022 mostram que 41% das baleias atingidas não morreram instantaneamente. O tempo mediano até a morte foi de 11,5 minutos, enquanto alguns casos registrados levaram mais de uma hora para terminar.

Para representantes da OceanCare, manter esse tipo de atividade deixou de fazer sentido diante das ameaças enfrentadas pelas populações de baleias e das preocupações relacionadas ao bem-estar animal.

Agora, a expectativa se concentra na proposta legislativa prometida pelo governo islandês. Caso seja aprovada, ela poderá encerrar definitivamente a caça comercial de baleias no país. Até que isso aconteça, porém, a temporada de 2026 deverá continuar, e novas capturas ainda poderão ocorrer nas próximas semanas.


*Sob supervisão de Giovanna Gomes