Astrônomos descobrem planetas gigantes mais leves que algodão-doce
Sistema raro localizado a mais de mil anos-luz da Terra desafia teorias sobre a formação de mundos gigantes e ajuda a entender os exoplanetas

Uma equipe internacional de pesquisadores identificou dois dos exoplanetas menos densos já registrados pela astronomia moderna. Orbitando a estrela TOI-791, situada a cerca de 1110 anos-luz da Terra, os mundos batizados como TOI-791b e TOI-791c possuem dimensões comparáveis às de Júpiter, mas são tão difusos que sua densidade é inferior à de um algodão-doce.
Conforme informações publicadas pela Revista Galileu, a descoberta representa um avanço crucial para compreender como sistemas planetários gigantes se formam e evoluem em condições incomuns.
Mundos super inchados
Os novos astros pertencem a uma categoria extremamente rara de corpos celestes conhecida como super-puffs ou planetas super-inchados. Embora ocupem volumes gigantescos, suas massas são surpreendentemente pequenas, o que resulta em densidades baixíssimas, como os 0,038 gramas por centímetro cúbico registrados no planeta TOI-791b.
Para a astrofísica George Dransfield, autora principal do estudo, encontrar dois exemplares desse tipo no mesmo sistema é um feito marcante. “Até então, conhecíamos apenas quatro exemplares desses planetas super-inchados. Descobrir mais dois, ainda mais no mesmo sistema, é impressionante”, afirmou a especialista em comunicado oficial.
Atmosferas de gás
A explicação científica para tamanha leveza reside na provável composição interna desses mundos. Os pesquisadores acreditam que eles possuam atmosferas imensamente espessas compostas por hidrogênio e hélio, que funcionam como um invólucro inflado ao redor de um núcleo sólido proporcionalmente pequeno.
Diferente de outros planetas da mesma categoria que costumam ser aquecidos por estrelas próximas, estes não enfrentam temperaturas tão extremas, o que intriga a comunidade científica. De acordo com os dados publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, os dois planetas agem como irmãos conectados pela gravidade, mantendo uma sincronia orbital rara chamada ressonância.

Observação na Antártica
A confirmação desses dados foi o resultado de oito anos de observações coordenadas entre telescópios espaciais e terrestres. Um dos papéis fundamentais nesse processo foi do instrumento ASTEP, instalado na Estação Concordia, na Antártica, em que a escuridão contínua do inverno polar permitiu acompanhar trânsitos planetários de longa duração.
O coautor do estudo Amaury Triaud ressaltou que a estrutura oferece oportunidades inéditas para a ciência ao declarar que “o sistema oferece um laboratório único para entendermos como os planetas super-inchados se formam e evoluem”. Já o pesquisador Tristan Guillot reforçou a importância da cooperação global. “Reunir observações da Antártida, de telescópios espaciais e de observatórios em vários continentes foi essencial para revelar a verdadeira natureza destes planetas extraordinários”, concluiu o especialista em depoimento ao veículo.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes