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Versalhes abre nova galeria pelos 250 anos da independência dos EUA

Mostra inédita em Versalhes reúne pinturas e esculturas históricas onde a monarquia francesa reconheceua soberania dos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi recebido pelo presidente francês, Emmanuel Macron, durante visita ao Palácio de Versalhes, em 17 de junho de 2026. O local, que desempenhou papel central nas relações entre França e Estados Unidos desde a Guerra da Independência americana, inaugura uma nova galeria dedicada aos 250 anos da independência dos EUA, destacando os laços diplomáticos e históricos entre os dois países - Foto: Reprodução/Getty Images.

No sábado do dia 4 de julho de 2026, o Palácio de Versalhes inaugura oficialmente uma nova galeria permanente para celebrar o 250º aniversário da declaração de independência dos Estados Unidos. A exposição, instalada no antigo apartamento do capitão das guardas, resgata o papel fundamental desempenhado pela França no nascimento da república americana e as conexões diplomáticas que unem Paris e Washington desde o século 18.

Versalhes: Palco de encontros históricos

O local escolhido para a galeria carrega um simbolismo para a história mundial. Foi exatamente nessas salas que o rei francês Louis XVI recebeu, em 1778, o diplomata e inventor americano Benjamin Franklin para reconhecer formalmente a soberania das colônias insurgentes contra o domínio britânico. 

Conforme informações publicadas pela Euronews, a galeria também destaca o Tratado de Versalhes de 1783, documento assinado no palácio que selou o fim da guerra e garantiu o reconhecimento internacional da jovem nação.

O acervo da nova galeria reúne pinturas monumentais, esculturas e retratos provenientes das coleções originais do castelo, muitas vezes raramente exibidos em conjunto. As obras destacam figuras centrais como o general George Washington, que liderou as tropas americanas, e o Marquis de Lafayette, jovem oficial francês que se tornou um símbolo da amizade entre os dois países ao lutar ao lado dos revolucionários. 

Segundo a conservadora do Palácio de Versalhes, Clara Terreaux, a criação deste percurso faz todo o sentido porque o desejo de recordar esse vínculo já existia na época de Louis XVI, que chegou a encomendar candelabros especiais para celebrar a vitória americana.

A abertura da galeria integra a programação ambiciosa intitulada Uma Temporada Americana. O diretor do museu do Palácio de Versalhes, Laurent Salomé, explica que o museu já possuiu espaços dedicados à Revolução Americana no passado, especialmente após a Primeira Guerra Mundial, e que o retorno dessas galerias hoje celebra uma história em dois sentidos. Para o especialista, o palácio continua sendo uma ferramenta de diplomacia cultural. 

“Este lugar foi concebido para levar as pessoas a pensar de outra forma. Trata-se de beleza e da harmonia do mundo”, afirma Laurent Salomé. Recentemente, o presidente francês Emmanuel Macron utilizou o prestígio histórico de Versalhes para receber Donald Trump, reforçando a tradição de usar o cenário real para facilitar diálogos políticos contemporâneos.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

Meu propósito é dar voz a narrativas.