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Novo estudo reescreve história da formação da Calçada dos Gigantes

Novas análises geológicas sugerem que a formação da Calçada dos Gigantes, na Irlanda do Norte, ocorreu mais rápido do que se pensava; entenda!

Fotografia tirada na Calçada dos Gigantes, na Irlanda do Norte / Crédito: Getty Images

Novas pesquisas estão trazendo informações inéditas sobre a formação da Calçada dos Gigantes, uma das paisagens geológicas mais conhecidas da Irlanda do Norte. Cientistas conseguiram relacionar a origem do monumento natural a um grande episódio vulcânico que afetou diversas regiões do Atlântico Norte e concluíram que os processos responsáveis por sua formação ocorreram em um intervalo de tempo significativamente menor do que se acreditava.

Reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO, a Calçada dos Gigantes é composta por cerca de 40 mil colunas hexagonais de basalto que se erguem ao longo da costa norte da Irlanda do Norte. A formação surgiu há aproximadamente 60 milhões de anos, durante um período marcado por intensa atividade vulcânica.

A paisagem é cercada por uma das lendas mais conhecidas da região. Segundo a tradição popular, um gigante irlandês chamado Finn McCool construiu uma passagem sobre o Mar da Irlanda para enfrentar o rival escocês Benandonner. Após o confronto, a maior parte da trilha teria sido destruída, restando apenas as colunas de pedra que hoje formam a Calçada dos Gigantes.

As explicações científicas, porém, apontam para uma origem diferente. De acordo com os pesquisadores, a formação foi criada quando lava extremamente quente emergiu por fissuras na superfície terrestre. À medida que o material vulcânico esfriou, surgiram rachaduras que deram origem às colunas retas e interligadas que caracterizam o local.

Novas informações

Agora, um novo estudo conseguiu conectar esse processo a um amplo episódio geológico responsável por criar formações vulcânicas em áreas que atualmente correspondem à Islândia, Groenlândia, Escócia, Ilhas Faroé e Irlanda do Norte. Segundo um comunicado do Serviço Geológico Britânico, o fenômeno representou um “evento vulcânico de importância global”.

Durante décadas, os cientistas acreditaram que as rochas vulcânicas associadas a esse episódio haviam se formado ao longo de aproximadamente 13,5 milhões de anos. Entretanto, uma pesquisa publicada em março na revista Geology indica que o período foi muito mais curto: cerca de 5,5 milhões de anos.

“Embora já conhecêssemos, de forma geral, a história vulcânica da Calçada dos Gigantes, o que agora podemos fazer é relacionar sua cronologia a outros sistemas vulcânicos da região em um nível sem precedentes”, disse Simon Tapster, coautor do estudo e geocronologista do British Geological Survey, ao The Guardian.

O trabalho se concentrou na Província Ígnea do Atlântico Norte, uma vasta região geológica criada por intensas erupções vulcânicas ocorridas há cerca de 60 milhões de anos. Embora a área tenha sido fragmentada posteriormente por processos tectônicos, vestígios desse episódio permanecem preservados em formações de lava basáltica distribuídas pelo Atlântico Norte.

Para chegar aos novos resultados, os cientistas combinaram análises geoquímicas e levantamentos magnéticos aéreos. O objetivo foi determinar com mais precisão a idade das rochas vulcânicas presentes na Irlanda do Norte, incluindo as encontradas na Calçada dos Gigantes, nas Montanhas Mourne e na montanha Slieve Gullion.

Os resultados sugerem que a atividade vulcânica responsável por essas formações foi mais concentrada do que se imaginava anteriormente e que os processos geológicos desencadeados por ela ocorreram em um período relativamente curto, repercute a Smithsonian Magazine.

“Estas descobertas mudaram completamente a forma como entendemos o lugar da Irlanda do Norte na história vulcânica mais ampla do Atlântico Norte”, afirma o autor principal, Mark Cooper, geólogo-chefe do Serviço Geológico da Irlanda do Norte, em comunicado.

Parte da Calçada dos Gigantes / Crédito: Getty Images

Desafios de conservação

Situada a cerca de 96 quilômetros de Belfast, a Calçada dos Gigantes continua sendo um dos destinos naturais mais visitados da Irlanda do Norte. Em 2025, mais de 678 mil pessoas passaram pelo local para observar as colunas de basalto, acompanhar a fauna costeira e percorrer as trilhas da região.

Apesar de terem resistido a milhões de anos de transformações naturais, as formações rochosas enfrentam atualmente um desafio provocado pela ação humana. Segundo os responsáveis pela conservação do local, turistas têm inserido moedas metálicas nas fissuras das colunas. Com a oxidação, o metal se expande e exerce pressão sobre o basalto, provocando rachaduras e, em alguns casos, o desprendimento de fragmentos das rochas.

O National Trust, entidade responsável pela administração do sítio, vem realizando ações para remover as moedas e alertar os visitantes sobre os riscos da prática. Após um teste de remoção realizado em fevereiro de 2024, especialistas mapearam as áreas mais afetadas em novembro de 2025 e iniciaram novas etapas do trabalho.

Nesta primavera, equipes da empresa de pedreiras The Rock utilizaram diferentes ferramentas para retirar cuidadosamente as moedas incrustadas. No entanto, nem todas poderão ser removidas, especialmente aquelas que sofreram corrosão avançada após anos de exposição à água salgada.

“Uma vez içadas, as pedras não podem mais descer”, diz Nathan Morrow, proprietário da empresa de alvenaria The Rock, em um vídeo criado pelo National Trust e outros parceiros. “Portanto, seremos muito, muito cuidadosos na remoção das moedas altamente oxidadas. […] Muito, muito simplesmente, seis moedas podem levantar seis toneladas [métricas] facilmente.”

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.