Taty Almeida: morre ícone das Mães da Praça de Maio após 50 anos de luta
Líder ativista faleceu aos 95 anos em Buenos Aires sem nunca encontrar o filho Alejandro, sequestrado antes da ditadura militar no país vizinho

A Argentina se despediu de uma de suas maiores referências na luta por direitos humanos. Lidia Stella Mercedes Miy Uranga, carinhosamente conhecida como Taty Almeida, faleceu no último domingo, 14, em um hospital de Buenos Aires, aos 95 anos. Ela presidia a linha fundadora da associação Mães da Praça de Maio, grupo de mulheres que, desde 1977, exige justiça pelos filhos desaparecidos durante os períodos de repressão estatal no país.
Busca pelo filho Alejandro
A trajetória de Taty mudou drasticamente em junho de 1975, quando seu filho Alejandro, um estudante de medicina e poeta, foi sequestrado por paramilitares. O desaparecimento ocorreu nove meses antes do golpe militar de 1976, mas Taty dedicou as cinco décadas seguintes à busca pela verdade.
Conforme informações do jornal britânico The Guardian, Taty inicialmente buscou ajuda com contatos militares devido à carreira de seu pai, um oficial de cavalaria, mas logo percebeu a gravidade das atrocidades do Estado e se uniu a outras mães em luto.
Legado de resistência incansável
Taty se tornou uma autoridade moral na Argentina, participando das marchas semanais em frente à sede da presidência. Mesmo em seu último ano de vida, ela continuou ativa em causas sociais contemporâneas.
Após o anúncio de sua morte, diversas figuras públicas expressaram pesar, incluindo a ex-presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner, que a descreveu como uma lutadora incansável que honrou a vida. A associação das Mães da Praça de Maio ressaltou que ela trabalhou até ficar doente nos últimos dias, cercada pelo afeto da família.
Exemplo para as gerações
Em uma carta de despedida, suas companheiras de luta destacaram que a única batalha perdida é aquela que se abandona.Taty Almeida deixa um legado de amor e resistência que transcende as fronteiras da América Latina. Em 2008, ela chegou a publicar um livro com os poemas deixados pelo filho em seus diários, mantendo viva a memória de Alejandro.
Seu exemplo permanece como um marco da busca incessante pela justiça e pelos direitos fundamentais em tempos de violência institucionalizada.
*Sob supervisão de Éric Moreira