Cientista afirma que nunca houve revolução na evolução humana
Segundo novo estudo, a evolução humana ocorreu gradualmente ao longo de milênios; nunca houve uma revolução repentina. Entenda!

Muitas vezes nos deparamos com discursos e notícias como “Arqueólogos descobrem onde humanos desenvolveram pesca” ou “Apareceram os primeiros registros da roda”, mas e se tudo isso for baboseira? É o que afirma o novo estudo publicado na Quaternary Science Reviews no começo do mês de julho.
Apesar de não sabermos todos os motivos para os Homo Sapiens, diferente dos outros hominídeos, terem ido para os outros continentes, por muito tempo foi defendida uma ideia de uma súbita revolução humana que teria possibilitado tal feito.
Porém, o arqueólogo autor do estudo, Huw S. Groucutt, argumenta que nunca houve revolução na evolução humana. Conforme seus estudos, a evolução humana foi gradual e levou milênios. Qualquer explicação fora disso “não se encaixa no crescente corpo de evidências”.
Revolução na evolução humana: uma ilusão
De acordo com Groucutt, ao examinar fósseis genéticos e arqueológicos da África e eventuais diásporas hominídeas, é possível perceber uma evolução humana longa e desigual. Assim, traços considerados modernos apareceram e desapareceram em diversas comunidades em diferentes épocas e lugares. Ou seja, nunca houve um único evento transformador.
Há décadas que teorias procuram qual foi o grande motivo que fez a humanidade ser diferente dos outros hominídeos e animais. Alguns cientistas colocam como marco cerca de 50 mil anos atrás. Conforme esse ponto de vista, os seres humanos experimentaram uma mudança cognitiva que levou ao pensamento simbólico, ferramentas avançadas, arte e redes sociais maiores.
Inclusive, se encaixa nessa perspectiva a tese do etnobotânico Terence McKenna, em que afirma que o consumo de psicotrópicos fez com que houvesse uma reconfiguração cognitiva na humanidade.
De todo modo, essas explicações apresentavam pontos de vista simples para explicar como o Homo sapiens resistiu a pressão evolutiva e os outros hominídeos não. Mas, segundo Groucutt, avanços na arqueologia e na história, tornaram essas teorias insustentáveis.
As provas de um processo lento
Sítios arqueológicos espalhados por toda a África mostram comportamentos ligados a avanços evolutivos antecipando a data estipulada. Contas de conchas, ferramentas de ossos, pigmentos e lareiras organizadas apareceram dezenas de milhares de anos antes da revolução proposta.
Assim sendo, esses comportamentos não surgiram juntos. De acordo com a Archaeology Magazine, alguns apareceram em uma região, desapareceram em outras, mais tarde ressurgiram em outro continente. Em suma, o padrão aponta mais para uma longa série de mudanças espalhadas do que um único ponto de inflexão ou revolução.
Dessa forma, o mesmo se aplica para as transformações tecnológicas da história humana. Em algumas regiões, armas e ferramentas surgiram milhares de anos antes do que em outras, o que mostra que a variação não indica que um único evento afete toda a humanidade de uma vez e ao mesmo tempo.
Não obstante, os cientistas mostraram que as mudanças genéticas caminharam no mesmo sentido. De acordo com Huw S. Groucutt, estudos genéticos atuais apontam para uma história mais gradual envolvendo múltiplas populações que separaram, misturaram e trocaram genes por longos períodos de tempo.
Em síntese, o artigo identifica que a matriz desses problemas todos é que as áreas focadas em descobrir evidências arqueológicas, de fósseis e genética contam histórias diferentes. Logo, cria-se uma dissonância entre as formas de interpretação no estudo do passado.
Não é raro encontrar um pesquisador, com foco em apenas uma das categorias supracitadas, chegando a conclusões largamente diferentes do que as encontradas por especialistas em outros campos.
Dessa forma, para Groucutt, essa diferenças não devem ser ignoradas. Justamente a evidência advinda de várias áreas ofereceriam uma imagem mais completa das origens evolutivas humanas.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes