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Reservas dos principais aquíferos brasileiros estão diminuindo, revela satélite

Águas subterrâneas dos principais reservatórios naturais brasileiros estão desaparecendo; estudo apontou causas

Satélites ajudaram os pesquisadores a monitorar uma queda persistente nos níveis de água em alguns aquíferos brasileiros - Crédito: Divulgação/NASA/JPL-Caltech

Um novo estudo publicado na revista Science Advances aponta que alguns dos principais aquíferos do território brasileiro estão em declínio. Publicado em 3 de junho, o artigo destaca diversos fatores que estariam sobrecarregando os sistemas que fornecem 55% da água do Brasil. A pesquisa foi conduzida por uma colaboração entre cientistas da NASA e instituições brasileiras, que analisaram mais de duas décadas de dados para compreender a situação das águas subterrâneas no país.

Para realizar o levantamento, os pesquisadores utilizaram inteligência artificial para integrar informações obtidas por satélites, medições de poços, características geológicas e dados sobre o uso da água. Conforme informações do portal Archaeology News, a análise abrangeu o período entre 2002 e 2023.

Os resultados indicaram que fatores como secas prolongadas, desmatamento, expansão agrícola, atividades de mineração e o aumento da extração de água subterrânea estão exercendo uma pressão crescente sobre os aquíferos. O grande problema, aponta o portal Galileu, é que esses reservatórios naturais desempenham um papel fundamental no abastecimento hídrico do país, sendo especialmente importantes para a agricultura.

Redução da capacidade

De acordo com os pesquisadores, vários aquíferos localizados nas regiões Centro-Oeste e Leste do país apresentam sinais de redução na capacidade de reposição. Em condições normais, essa recarga ocorre principalmente por meio das chuvas, que alimentam rios e permitem a infiltração da água no solo. No entanto, mudanças ambientais e o uso intensivo dos recursos hídricos têm dificultado esse processo.

A equipe utilizou informações coletadas pelas missões GRACE (Gravity Recovery and Climate Experiment) e GRACE Follow-On, satélites desenvolvidos para monitorar as variações da água na Terra por meio de alterações sutis no campo gravitacional do planeta. Com esses dados, os cientistas produziram mapas de alta resolução cobrindo uma área de aproximadamente 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro.

Os mapas revelaram comportamentos distintos entre as regiões analisadas. Em partes da Amazônia, as águas subterrâneas apresentaram grandes oscilações sazonais associadas aos ciclos de chuva e às cheias dos rios. Já em áreas marcadas pela expansão agrícola e pelo uso intensivo da terra, os pesquisadores identificaram um processo mais preocupante: a redução persistente e prolongada das reservas subterrâneas.

De acordo com o estudo, o padrão observado em algumas regiões brasileiras começa a se assemelhar ao registrado em aquíferos fortemente explorados de países como Estados Unidos, Índia, Irã e Bangladesh.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.