Quadro de US$ 100 comprado em brechó tem autoria revelada por IA e é vendido por fortuna
A professora Helene Plotkin descobriu que sua tela comprada em brechó era uma obra de Francis Cadell após a tecnologia decifrar uma assinatura ilegível

Uma professora de arte aposentada, Helene Plotkin, transformou um investimento de apenas cem dólares feito em 1966 em uma pequena fortuna. A obra, que decorou sua sala de estar por sessenta anos, foi recentemente identificada como uma peça legítima do pintor escocês Francis Campbell Boileau Cadell por meio de inteligência artificial.
Intitulada “Interior: The Lady in Black”, a pintura foi leiloada em Edimburgo por mais de 250 mil dólares, encerrando um mistério que perdurava desde a sua compra em um brechó de Nova York.
IA decifra assinatura
A confirmação do autor só foi possível graças ao avanço tecnológico aplicado ao mercado de arte. O filho da proprietária, Barry Plotkin, iniciou uma pesquisa no ano passado sobre a tela que esteve presente em sua infância. Como a assinatura no canto superior estava ilegível, especialistas da casa de leilões Lyon & Turnbull utilizaram ferramentas de inteligência artificial para isolar e medir o fluxo das pinceladas.
Conforme a Instituição, o software revelou padrões técnicos característicos da mão de Cadell que eram invisíveis ao olho humano, permitindo a autenticação definitiva da peça.
Legado do mestre
Francis Cadell é uma das figuras mais importantes da arte moderna escocesa, sendo um dos quatro integrantes do grupo conhecido como Coloristas Escoceses. O artista ficou famoso por seus interiores elegantes e pelo uso vibrante de cores e luz.
No quadro em questão, ele retratou a modelo May Easter em seu estúdio na Ainslie Place, em Edimburgo. Helene Plotkin relatou que, apesar do anonimato inicial do autor, seu olhar clínico de professora de arte a atraiu para a peça décadas atrás devido à técnica brilhante da composição.
Sucesso em leilão
A pintura foi arrematada por 189.200 libras esterlinas, o equivalente a mais de 250 mil dólares (aproximadamente R$ 1.282.625,00, na cotação atual). Especialistas destacam que o uso da tecnologia forense não substitui o trabalho humano, mas serve como um braço direito para historiadores em casos de obras degradadas ou assinaturas apagadas.
Para a família Plotkin, o leilão em 2026 não trouxe apenas um retorno financeiro extraordinário, mas validou a percepção artística de Helene, que soube identificar o valor de um mestre escondido em uma loja de caridade.
*Sob supervisão de Éric Moreira