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Mamute da Era do Gelo revela costumes humanos de 27.000 anos atrás

Restos mortais de mamute da Era do Gelo, datados de 27 a 25 mil anos atrás, mostram métodos de alimentação da humanidade na Baviera; entenda!

Fotografia de ossos de mamute da Era do Gelo extraído do sítio arqueológico
Fotografia de ossos de mamute da Era do Gelo extraído do sítio arqueológico - Créditos: Divulgação/Escritório Estadual da Baviera para Proteção de Monumentos

Recentemente, arqueólogos no sudeste da Alemanha encontraram vestígios de atividades humanas através de ossos de mamute da Era do Gelo. O período, datado de aproximadamente 27.000 a 25.000 anos atrás, marcado pela diminuição da ocupação humana na região, possui poucas informações disponíveis.

Assim, os ossos do mamute ofereceram um raro vislumbre da vida na Baviera, na Alemanha, no período final da cultura Gravetiana e antes do Último Máximo Glacial, época que boa parte da humanidade se afastou das zonas mais ao norte.

Os restos de mamute da Era do Gelo

Os restos não são a novidade, visto que os ossos foram encontrados em 2020 durante obras perto de Taimering. Ao serem notificados, os arqueólogos do Escritório Estadual Bávaro de Proteção de Monumentos investigavam depósitos medievais quando encontraram ossos muito mais antigos enterrados.

Como nas proximidades do local não foram encontradas nenhuma ferramenta de pedra, lareira ou qualquer outros vestígios de um assentamento paleolítico, logo encaminharam as investigações para paleontólogos da Coleção Estadual Bávara de Paleontologia e Geologia para estudos adicionais.

Dentre os resquícios encontrados estão 72 partes esqueléticas e uma presa, todos pertencentes a um único mamute-lanoso. Contudo, ao comparar com outros ossos da mesma espécie, tornou-se perceptível que apesar de ser um animal de grande porte, ainda não tenha alcançado a maturidade completa.

Nesse sentido, a datação por radiocarbono revelou que a idade dos ossos do animal na região foi entre 26.900 e 25.300 anos atrás. No entanto, a descoberta que surgiu como uma descoberta paleontológica foi se revelando um raro vestígios dos métodos de alimentação dos antigos humanos.

Os humanos de 27.000 anos atrás

Uma análise mais clínica revelou que o mamute da Era do gelo tinha bem mais a revelar. Conforme a Archaeology Magazine, em várias costelas e demais superfícies ósseas foram notadas marcas de cortes durante o processamento da carcaça.

Inclusive, em uma das marcas é possível notar que uma das costelas serviu de “tábua de corte” durante o processamento da carne. Até então, os pesquisadores ainda não conseguiram determinar se os humanos mataram o animal ou chegaram após a morte.

De qualquer maneira, mesmo sem qualquer outro vestígio, o valor arqueológico da carcaça é inestimável. O período marcado nesse organismo é confluente com o período em que condições climáticas mais frias e o avanço das geleiras reduziram a produtividade ambiental nas regiões norte e central da Europa.

Conforme o estudo publicado recentemente na Journal of Archaeological Science: Reports, o mamute de Taimering pode mostrar que na região da Baviera havia uma ocupação consistente de grupos gravetianos orientais, uma vez que nessas comunidades os mamutes eram mais presentes do que em outras culturas ocidentais.

Apesar de não ter oferecido muitas mais informações, as revelações atuais já foram suficientes para a comunidade científica comemorar. A descoberta dos ossos do mamute oferece um raro vislumbre da atividade humana durante um dos períodos mais desafiadores da Era do Gelo.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: