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Terror invisível dos oceanos: Como os U-Boats alemães redefiniram a Segunda Guerra

Muito além da Luftwaffe e dos tanques nas fronteiras, a frota de submarinos nazistas alcançou recordes absolutos de destruição e quase mudou o rumo da história

U-boat alemão na Segunda Guerra - Getty Images

Os submarinos que quase venceram a guerra no Atlântico. Quando se pensa na máquina de guerra nazista, a imagem que costuma surgir primeiro é a dos tanques atravessando fronteiras, dos aviões da Luftwaffe bombardeando cidades ou das divisões alemãs avançando em velocidade pela Europa.

Entretanto, existe uma percepção equivocada sobre qual foi uma das ferramentas mais destrutivas utilizadas pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Muitos acreditam que a Luftwaffe foi o principal instrumento bélico do Terceiro Reich. Os números mostram outra realidade.

As frotas alemãs, tanto a submarina quanto a de superfície, foram arrasadoras. Tão devastadoras que o segundo e o terceiro colocados no ranking dos países que mais afundaram embarcações inimigas, somados, não alcançam os resultados obtidos pela Alemanha.

Entre todas as armas utilizadas pelos nazistas, poucas provocaram tanto temor quanto os U-boats, os famosos submarinos alemães. Para compreender a dimensão desse feito, basta observar o cenário marítimo da guerra.

++ Durante 2ª Guerra, nove navios foram afundados por dia em seis anos

A devastador guerra naval

Em tempos de paz, a possibilidade de afundamento de um navio de médio ou grande porte é extremamente reduzida. Considerando os cerca de 120 mil navios que atualmente navegam pelos mares e oceanos do planeta, podem ser esperados apenas dois afundamentos por ano.

Durante a Segunda Guerra Mundial, porém, a situação foi completamente diferente. Aproximadamente 20 mil embarcações foram enviadas ao fundo dos mares e oceanos. Isso representa uma média de 9,4 navios afundados por dia durante os 2.194 dias do conflito.

Mais de 50 milhões de toneladas desapareceram sob as águas, provocando a morte de aproximadamente 600 mil marinheiros. Alguns deles sequer morreram nos ataques propriamente ditos, mas acabaram devorados por tubarões após os naufrágios. Nesse cenário de destruição contínua, os submarinos alemães destacaram-se acima de todos os demais. Os números são impressionantes.

Entre os navios mercantes afundados, categoria que representa 65% do total das perdas marítimas da guerra, a Alemanha destruiu 2.759 embarcações, equivalentes a 14,3 milhões de toneladas. Desse total, 2.447 foram afundadas especificamente pelos U-boats. Apenas 312 caíram diante de navios de superfície. Isso significa que a esmagadora maioria das perdas mercantes provocadas pelos alemães teve origem nos ataques submarinos.

A situação não foi muito diferente entre os navios militares. A Alemanha afundou 745 embarcações militares, totalizando 2,3 milhões de toneladas. Dessas, 247 foram destruídas pelos U-boats. Somando embarcações militares, mercantes e de passageiros, os alemães afundaram 3.504 navios durante a guerra, equivalentes a 16,6 milhões de toneladas. Desse total, 2.694 foram colocados a pique pelos submarinos.

Nenhum outro país chegou perto desses números. Os japoneses aparecem em segundo lugar, com 2.672 embarcações afundadas. Os italianos ocupam a terceira posição, com 727. Ainda assim, a soma dos resultados japoneses e italianos não produz o mesmo impacto estratégico exercido pela agressiva frota naval alemã, especialmente pelos seus submarinos.

A Guerra Invisível

O alcance da ameaça foi tão amplo que ultrapassou o Atlântico Norte. Os litorais dos Estados Unidos e do Canadá, tanto no Pacífico quanto no Atlântico, encontravam-se literalmente “regados de submarinos inimigos”, provocando inquietação permanente na América do Norte.

O Canal do Panamá permanecia em estado de alerta constante, enquanto embarcações que seguiam em direção à Europa ou à Ásia navegavam sob permanente risco. Era uma guerra invisível. Ao contrário dos bombardeios sobre Londres ou dos combates terrestres que ocupavam as manchetes dos jornais, os submarinos atacavam silenciosamente. O mar transformava-se em um campo de batalha onde qualquer navio podia desaparecer em questão de minutos.

O efeito psicológico era tão poderoso quanto o militar. Mercantes carregavam alimentos, combustíveis, matérias-primas e equipamentos indispensáveis ao esforço de guerra dos Aliados. Afundá-los significava interromper cadeias de abastecimento, criar escassez e dificultar a capacidade de resistência dos países atacados. Por isso, a guerra marítima tornou-se uma disputa fundamental.

Legado tecnológico

Não por acaso, a própria Segunda Guerra Mundial impulsionou avanços tecnológicos diretamente relacionados ao combate submarino. O desenvolvimento dos sonares, tecnologias destinadas justamente à detecção de embarcações submersas.

Também surgiram novos combustíveis, como o oxigênio líquido e o peróxido de hidrogênio, capazes de fornecer energia para submarinos. Essas inovações não nasceram por acaso. Foram respostas à ameaça representada pelas frotas submarinas.

Ao analisar os números, torna-se possível compreender por que os U-boats foram considerados uma das armas mais eficazes do Terceiro Reich. Em uma guerra marcada por tanques, aviões e batalhas terrestres gigantescas, os submarinos alemães conseguiram transformar os oceanos em território hostil.

Afundaram milhares de embarcações. Interromperam rotas comerciais. Provocaram centenas de milhares de mortes. Espalharam medo dos litorais europeus até as costas da América do Norte. E deixaram um legado estatístico difícil de ignorar.

Quando se observam os números dos navios enviados ao fundo do mar, uma conclusão parece inevitável: poucas armas alemãs causaram tanto impacto estratégico quanto os U-boats. Não é exagero, portanto, afirmar que os submarinos nazistas estiveram entre os maiores protagonistas da guerra nos oceanos.

E que, durante muito tempo, fizeram parecer possível aquilo que hoje soa impensável: vencer a guerra a partir das profundezas do Atlântico.


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