Estudo aprofunda mistério sobre ‘estoque de lâminas’ da Idade da Pedra
Encontrado sob antigo campo de golfe em Ohio, a “estoque de lâminas” continua um quebra cabeça para arqueólogos explicarem

Recentemente, arqueólogos empreenderam esforços para compreender o que são as 11 lâminas bifaces de pedra encontradas debaixo de um antigo campo de golfe. Enterradas sem nunca terem sido usadas, as lâminas marcam um mistério na arqueologia norte-americana.
Conhecida como “Joshua Cache”, a coleção atualmente interpretada como uma série de lâminas que eram estocadas para serem utilizadas depois ou para pertencerem a rituais religiosos, foi encontrada em 2021 por acaso.
Descoberta do “estoque de lâminas”
Tudo começou em janeiro de 2021, quando Joshua Fetter notou um objeto de pedra em forma de folha perto de uma lagoa no campo de golfe Sugar Creek. Porém, o que mais surpreendeu foi que, ao vasculhar uma pequena região, encontrou mais algumas lâminas parecidas.
Logo notificou arqueólogos conhecidos para investigarem, antes das obras de grupo habitacional avançarem sobre a região. Desse modo, ao escavar um pouco mais fundo, no mesmo metro quadrado, outras 2 lâminas foram encontradas. Além disso, pequenos pedaços de carvão apareceram por baixo dos itens, informação que supostamente seria muito útil para calcular de que período as lâminas vieram.
A coleção conta com 11 lâminas de pedra bi-faceadas e lanceoladas, todas construídas de maneira cuidadosa. Cada peça possui simetria interna e bordas retas, ao mesmo tempo que as cicatrizes de flocos mantém um padrão organizado.
Ou seja, a partir dessas informações, os pesquisadores conseguiram identificar que era um trabalho em pedra feito por pessoas experientes e com ferramentas adaptadas para o exercício.
Mais informações sobre as lâminas
Contudo, ao analisar microscópicamente, nenhuma das bifaces apresentou sinais de uso, e as poucas ranhuras identificadas foram associadas ao desgaste das lâminas terem sido carregadas juntas. Ou seja, os itens formavam um “estoque de lâminas”.
Embora o carvão vegetal encontrado sob as lâminas pudesse facilitar o cálculo, na verdade a datação radio carbônica revelou que foram feitos em meados do século 13. Ou seja, um período quase nada condizente com os outros indícios das lâminas.
Conforme os pesquisadores que vêm analisando os objetos, é necessário cautela ao interpretar esses resultados. Máquinas pesadas haviam raspado e nivelado porções do local antes do início da escavação — assim, podendo afetar o local em que foram encontradas.
Outros movimentos como a escavação de animais e atividade radicular também podem ter movimentado o carvão para o local. Por enquanto, a datação se baseou em outro modelo, a comparação com outras lâminas encontradas nos Estados Unidos em diferentes épocas.
Conforme a Archaeology Magazine, cerca de 322 bifaces de sítios arqueológicos distintos foram comparadas com as 11. No artigo publicado na Journal of Archaeological Science, as lâminas apresentaram mais proximidade com comunidades de Adena viviam em partes de Ohio e regiões vizinhas, durante da Idade da Pedra, cerca de 2.500 a 1.900 anos atrás.
Outras análises possibilitaram mostrar que as pedras foram retiradas de rochas de Upper Mercer chert, um tipo de sílex, a cerca de 43 a 45 quilômetros do local — dessa forma, indicando que os indivíduos estavam transportando as lâminas como estoque para alguma finalidade.
Motivos e dúvidas
Apesar das descobertas, os arqueólogos ainda não sabem os motivos para o armazenamento e muito menos o motivo de estarem enterradas no solo. Conforme os especialistas, as ferramentas podem servir como equipamento de caça armazenado, pré-formas de pontas de projétil inacabadas, facas destinadas ao uso futuro ou objetos conectados a práticas sociais ou cerimoniais.
De todo modo, ainda rondam muitos mistérios sobre a origem e o motivo do depósito das lâminas terem sido encontradas na localidade. Para essas respostas serão necessários mais estudos e descobertas na região de Ohio. Por enquanto, fica o mistério e a curiosidade do que os antigos queriam com um estoque tão grande de lâminas.
*Sob supervisão de Éric Moreira