Dia D: os eventos reais que inspiraram novo filme de Spielberg
Diretor de E.T. e Contatos Imediatos do Terceiro Grau afirma que fenômenos aéreos não identificados reais influenciaram a recepção de Dia D

Após duas décadas longe das histórias centradas em extraterrestres, Steven Spielberg está prestes a retornar ao tema que ajudou a definir parte de sua carreira. O cineasta revelou que o crescente interesse público por fenômenos aéreos não identificados e por discussões sobre possível vida extraterrestre teve papel importante na concepção e na recepção de Dia D, seu novo filme de ficção científica.
O longa, que chega aos cinemas brasileiros em 11 de junho, marca a volta de Spielberg ao universo dos alienígenas desde Guerra dos Mundos (2005). Embora o diretor tenha explorado o tema em diversas ocasiões ao longo de sua trajetória — especialmente em Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977) e E.T. – O Extraterrestre (1982) — ele afirma que a nova produção nasce de um contexto histórico muito diferente daquele que inspirou seus trabalhos anteriores.
Segundo Spielberg, a discussão contemporânea sobre objetos voadores não identificados deixou de ser um assunto restrito à ficção científica ou a círculos especializados. Nos últimos anos, audiências realizadas pelo Congresso dos Estados Unidos, depoimentos de militares e a divulgação de documentos governamentais transformaram o tema em objeto de debate público. Essa mudança ajudou a criar um ambiente em que histórias sobre uma possível revelação da existência de inteligência não humana passaram a parecer menos fantasiosas para parte do público.
Fenômenos
O diretor também reconheceu a influência indireta do documentário The Age of Disclosure, lançado em 2025. A produção examina alegações de décadas de sigilo governamental envolvendo fenômenos anômalos e ganhou ampla repercussão nos Estados Unidos. Spielberg afirmou que seu filme já estava em desenvolvimento quando o documentário chegou ao público, mas destacou que a obra ajudou a ampliar o interesse geral pelo assunto e contribuiu para que discussões sobre possíveis formas de vida extraterrestre se tornassem mais frequentes.

A trama de Dia D gira em torno de um momento histórico fictício em que a humanidade recebe provas definitivas de que não está sozinha no universo. Em vez de focar apenas no espetáculo visual ou em uma invasão alienígena tradicional, o roteiro procura explorar as consequências sociais, políticas e emocionais dessa revelação. A pergunta central do filme não é exatamente quem são os visitantes, mas como a civilização humana reagiria ao descobrir que existe outra inteligência compartilhando o cosmos.
O projeto reúne um elenco de destaque formado por Emily Blunt, Josh O’Connor, Colin Firth, Eve Hewson e Colman Domingo. O roteiro foi escrito por David Koepp, colaborador frequente de Spielberg responsável por trabalhos como Jurassic Park, Guerra dos Mundos e Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. Segundo o próprio roteirista, foram necessárias dezenas de versões até que a história alcançasse sua forma definitiva.
Durante entrevistas recentes, Spielberg afirmou que considera Dia D um de seus projetos mais pessoais dentro do gênero de ficção científica. Diferentemente de muitos filmes anteriores sobre alienígenas, ele acredita que a nova obra dialoga diretamente com debates contemporâneos sobre transparência governamental, confiança institucional e a forma como a sociedade processa informações capazes de alterar sua compreensão da realidade.
Essa abordagem representa uma evolução natural dentro da própria filmografia do cineasta. Em Contatos Imediatos do Terceiro Grau, lançado durante a Guerra Fria, o encontro com extraterrestres era retratado com fascínio e esperança. Já em Guerra dos Mundos, produzido em um contexto marcado pelos traumas do 11 de Setembro, predominavam o medo, a insegurança e a sensação de vulnerabilidade. Agora, Dia D parece concentrar-se em outra inquietação típica do século XXI: a dificuldade de distinguir fatos, segredos e desinformação em uma era de circulação instantânea de dados.
O interesse do público pelo projeto também tem sido alimentado pelas declarações do próprio Spielberg sobre a possibilidade de existência de vida fora da Terra. O diretor afirmou acreditar que o universo é vasto demais para que a humanidade seja a única forma de vida inteligente existente. Ao mesmo tempo, ressalta que a questão realmente fascinante não é apenas saber se extraterrestres existem, mas se já interagem de alguma forma com nosso planeta.
Com estreia prevista para 12 de junho, o longa representa não apenas o retorno de Spielberg à ficção científica extraterrestre, mas também um novo capítulo em sua longa exploração cinematográfica dos mistérios do universo e da curiosidade humana diante do que ainda não compreendemos.