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‘Michael’: o que aconteceu com o rancho Neverland?

Saiba o que aconteceu com o rancho Neverland, propriedade construída por Michael Jackson, o Rei do Pop

Imagem aérea de Neverland
Imagem aérea de Neverland - Getty Images

Por muito tempo, pareceu que o Rancho Neverland estava condenado ao esquecimento. No entanto, contrariando todas as expectativas, a propriedade localizada no meio do estado da Califórnia segue de pé, mesmo após anos de acusações, disputas judiciais e a morte de Michael Jackson em 2009.

Nos anos 1980, quando a carreira de Jackson atingia níveis estratosféricos, Neverland tornou-se uma extensão de sua própria persona: excêntrica, grandiosa e profundamente marcada por uma busca quase obsessiva por inocência. Inspirado em parques da Disney e na Terra do Nunca de Peter Pan, o cantor transformou os 2.700 acres do antigo Sycamore Valley Ranch em um refúgio pessoal. Ali havia de tudo: roda-gigante, carrossel, fliperama, estação de trem, cinema, zoológico com animais exóticos e até um lago com cachoeira. Um universo próprio à parte construído com cerca de 35 milhões de dólares.

No meio de tudo isso, uma casa de seis quartos e nove banheiros ocupava uma enorme área de 1170 m². Ela contava com uma ampla suíte principal com loft privativo e dois quartos principais, além de três casas de hóspedes separadas. Também vale mencionar a existência de diversos recursos luxuosos, como duas lareiras, despensa de mordomo, banheira de hidromassagem, sauna e vistas deslumbrantes das montanhas, tudo isso a 8 km da cidade mais próxima, e a duas horas de Los Angeles.

Mas o sonho começou a ruir já na década seguinte, quando o Rei do Pop foi alvo de acusações de abuso sexual infantil, que ganharam enorme repercussão midiática. Em 2005, uma batida policial transmitida ao vivo marcou um ponto de ruptura definitivo. Afinal, embora Jackson tenha sido posteriormente absolvido, ele nunca mais voltou a viver no local, mudando-se para o Bahrein pouco tempo depois.

Disputas e dívidas

Segundo o portal SFGATE, com a morte do artista em 2009, Neverland entrou em uma espécie de limbo. A propriedade, envolta em disputas legais e dívidas, foi gradualmente abandonada. Estruturas se deterioraram, brinquedos enferrujaram, e o que antes era vibrante se tornou quase fantasmagórico. Ao longo dos anos, surgiram especulações sobre transformar o local em um memorial, à semelhança da Graceland de Elvis Presley, mas nada se concretizou. Em vez disso, o rancho foi colocado à venda em 2016 por 100 milhões de dólares.

O mercado, no entanto, respondeu com frieza. O preço caiu, e caiu de novo. Só em 2020 a propriedade encontrou um comprador: o bilionário Ron Burkle, amigo da família Jackson, que adquiriu o terreno por apenas 22 milhões de dólares. Parecia o fim de Neverland como um investimento imobiliário, mas a história deu outra guinada.

Em 2021, foram iniciados discretos trabalhos de restauração. Nada grandioso à primeira vista: reparos em telhados, ajustes elétricos, manutenção de estruturas existentes. Ainda assim, era um sinal de que o abandono absoluto havia terminado. Em 2023, imagens revelaram algo mais ambicioso: brinquedos revitalizados, áreas reorganizadas, bem como elementos do antigo parque sendo lentamente trazidos de volta à vida.

O verdadeiro ponto de virada, porém, veio com Hollywood.

Filmagens de Michael

Em 2024, Neverland foi escolhida como locação para a cinebiografia de Michael Jackson. Registros oficiais do Condado de Santa Bárbara confirmaram, na época, permissões de filmagem no endereço histórico da propriedade, incluindo atividades que iam de cenas de diálogo a sequências de ação, com uso de helicópteros e efeitos especiais. Ao todo, mais de 300 pessoas participaram das gravações ao longo de várias semanas.

Após longa espera, o filme foi lançado nos cinemas na última quinta-feira, 23. No entanto, apesar das altas expectativas, é importante mencionar que o projeto dirigido por Antoine Fuqua e estrelado por Jaafar Jackson se tornou um dos mais controversos de Hollywood recentemente, uma vez que seu processo de produção foi marcado por atrasos, reescritas e refilmagens. Vale mencionar que o cronograma de ‘Michael’ foi impactado quando uma cláusula contratual impediu a inclusão de um dos trechos centrais da narrativa.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.