Matérias / Caso Epstein

Afinal, quem está nos arquivos de Epstein?

A lista de milhões de páginas divulgadas sobre a rede de relacionamentos de Epstein inclui políticos, bilionários, artistas e diplomatas

Jeffrey Epstein
Jeffrey Epstein - Getty Images

A divulgação de aproximadamente 3,5 milhões de páginas de documentos relacionados ao financista americano Jeffrey Epsteincondenado por abuso sexual de menores e morto em 2019 — desencadeou uma onda global de atenção sobre os nomes que surgem nesses arquivos.

Uma reportagem da BBC News destacou que o material menciona figuras influentes em contextos variados, desde simples trocas de e-mail até correspondências mais frequentes, ainda que nenhuma acusação criminal seja automaticamente implicada pela mera presença de um nome nos arquivos.

O conjunto de documentos foi liberado no último dia 30 de janeiro, pelo Departamento de Justiça dos EUA após o Epstein Files Transparency Act, legislação que exigiu a divulgação dos registros que estavam sob sigilo judicial.


1. Realeza britânica

Fotografia de Andrew Mountbatten-Windsor com Virginia Giuffre, e Ghislaine Maxwell ao fundo/ Crédito: Divulgação/Departamento de Justiça dos EUA

Um dos nomes com maior repercussão nos documentos é o de Andrew Mountbatten-Windsor, ex-Príncipe Andrew, Duque de York, irmão mais novo do rei Charles III. O ex-príncipe aparece de forma recorrente nas investigações por seu relacionamento com Epstein, incluindo registros fotográficos e correspondências. Testemunhos de vítimas, ainda que contestados, foram parte da controvérsia envolvendo sua presença nos arquivos e levaram a pedidos de depoimentos e maior escrutínio internacional.


2. Políticos e diplomatas globais

Vários políticos de alto escalão ou ex-ocupantes de cargos oficiais aparecem nos documentos, alguns por correspondência ou encontros profissionais:

Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido nos EUA e antigo ministro britânico, foi ligado a pagamentos e e-mails trocados com Epstein em momentos posteriores à condenação do financista, gerando investigações e revisões críticas à sua carreira pública.

Thorbjørn Jagland, ex-primeiro-ministro da Noruega e ex-chefe do Comitê Nobel, passou a ser investigado pelas autoridades norueguesas após sua troca de correspondência com Epstein aparecer entre os documentos, incluindo alegações de possíveis benefícios recebidos durante seu mandato.

Outros nomes de diplomatas e conselheiros também foram associados — em alguns casos por e-mails com tópicos que vão além de meras apresentações institucionais.


3. Bilionários e líderes empresariais

Elon Musk e Bill Gates, citados nos arquivos de Epstein – Getty Images

O alcance dos Epstein files não se restringe a dirigentes públicos. Figuras proeminentes do setor privado também aparecem em e-mails ou registros de contato:

Elon Musk, fundador da Tesla e da SpaceX, é citado em trocas de e-mails com Epstein em que discutiram a possibilidade de cooperação ou visitas, embora ele tenha negado qualquer envolvimento indevido e dito que recusou ofertas.

Richard Branson, empresário bilionário e fundador da Virgin Group, aparece diversas vezes em correspondências com Epstein, incluindo comunicações sobre encontros e eventos — sempre negando conduta imprópria.

Ariane de Rothschild, CEO do banco suíço Edmond de Rothschild, manteve contato pessoal com Epstein por vários anos, segundo registros, embora a instituição tenha afirmado que ela desconhecia as atividades criminosas do financista.


4. Celebridades e figuras culturais

O alcance dos documentos também atingiu nomes ligados a entretenimento, mídia e cultura, mesmo que de forma indireta:

O apresentador Jon Stewart reconheceu publicamente que seu nome surgiu nos arquivos e em troca de e-mails envolvendo outras figuras enquanto se discutia um projeto artístico — mas enfatizou que não teve ligação pessoal com Epstein além desse contexto profissional.


5. Diplomatas

Os arquivos revelaram trocas entre Epstein e figuras ligadas à diplomacia global, o que reforça debates sobre sua vasta rede de contatos:

Diplomatas como Miroslav Lajčák (ex-ministro das Relações Exteriores eslovaco e ex-presidente da Assembleia Geral da ONU) aparecem nos arquivos em comunicações que geraram respostas políticas e debates em seus países sobre a natureza dessas relações, mesmo que as menções não impliquem, per se, em crimes.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.