Diddy: Por que o rapper é associado às mortes de Tupac e The Notorious BIG?
Polêmica voltou a ganhar força após estreia do documentário da Netflix 'Sean Combs: O Acerto de Contas'; entenda a relação de Diddy com os casos!

Nesta semana estreou na Netflix o documentário Sean Combs: O Acerto de Contas, que explora a ascensão e a queda do rapper, também conhecido como Diddy.
Produzido por 50 Cent, e dividido em quatro episódios, a produção revisita as possíveis conexões entre Diddy e os assassinatos de Tupac Shakur e Christopher “The Notorious BIG” Wallace, também conhecido como Biggie Smalls.
Tupac sofreu um atentado em Las Vegas em 7 de setembro de 1996, alvejado a tiros em um ataque de carro. Ele morreu apenas seis dias depois. Já Biggie foi assassinado, em condições semelhantes, seis anos depois, em 9 de março de 1997, em Los Angeles.
Naquela época, o cenário do rap vivia sob intensas rivalidades, amizades desfeitas e a notória rixa entre as costas leste e oeste. Neste contexto estava Diddy, não só amigo próximo de Notorious, mas também produtor e chefe da Bad Boy Records (que lançou Biggie); sendo uma figura de destaque no lado leste dessa divisão.
Ao longo de anos, o nome de Combs vem sendo ligado aos assassinatos, apesar de sempre negar qualquer tipo de participação. Mas no documentário da Netflix, vários indivíduos que alegam que ele pode ter desempenhado um papel em suas mortes.
Acho que Sean teve muito a ver com a morte de Tupac, ele conduziu Biggie à morte”, afirmou Kirk Burrowes, cofundador da Bad Boy.
Entenda tudo sobre as supostas ligações entre Diddy e as mortes de Tupac e Biggie!
Diddy e Tupac
Por conta do cenário musical, Diddy e Tupac frequentavam círculos semelhantes. Mas a relação entre eles começou a desmoronar no dia 30 de novembro de 1994.
Naquela noite, Tupac foi assaltado e baleado cinco vezes no saguão do Quad Studios, em Nova York, onde gravaria uma participação especial para o artista de Diddy, Little Shawn, conforme recorda a Vice.
Tupac sobreviveu, mas o episódio causou danos irreparáveis em sua relação com Diddy e Biggie. Em 1996, em entrevista à revista Vibe, Tupac comentou se Diddy estava envolvido no episódio.
Eu acredito que sim. Acredito mesmo. Tenho provas, coisas que posso dizer que corroboram minha afirmação. Mas isso não é para o mundo saber”, afirmou.
“É algo entre mim e ele. Só ele sabe. Toda vez que ele diz que não aconteceu — é só isso que faz com que se torne um problema para alguém”. Até hoje o caso do tiroteio no Quad Studios permanece sem solução.
A morte de Shakur
Cerca de dois anos depois, Tupac acabou sendo alvejado em um ataque de carro em Las Vegas, em 7 de setembro de 1996. Ele morreu seis dias depois, quando tinha apenas 25 anos.
Seu assassinato permaneceu sem solução por décadas, o que serviu para alimentar especulações e teorias da conspiração no mundo do hip-hop.
O caso só começou a andar realmente em 2023, quando Duane “Keefe D” Davis foi preso e acusado de um homicídio qualificado por envolvimento com gangues. Segundo os promotores do caso, ele foi o mentor do crime.

Em julho de 2024, a PEOPLE noticiou que um documento judicial revelava que, uma entrevista policial de 2009, até então não divulgada, Davis não apenas teria detalhado seu papel no assassinato de Tupac, mas também teria mencionado Diddy repetidamente e alegado que ele foi quem ordenou o tiroteio.
Conforme relatado por Davis, Diddy estava furioso com as constantes provocações de Tupac.
Além disso, um relatório da DEA e do Departamento de Justiça dos EUA também citou uma entrevista de 2008. Nela, Davis chegou a apontar que Diddy disse que “precisava se livrar de [Marion ‘Suge’] Knight e Shakur” e ofereceu a Davis US$ 1 milhão para “resolver o problema”.
Diddy, por sua vez, sempre negou qualquer tipo de envolvimento. O Departamento de Polícia Metropolitana de Las Vegas também alega que “Sean Combs nunca foi considerado suspeito na investigação do homicídio de Tupac Shakur”.
Diddy e Biggie
Depois da morte de Tupac, Diddy e sua equipe da Costa Leste foram avisados para não pisarem novamente na Costa Oeste. Mas apesar das ameaças, o rapper estava disposto a promover o novo álbum de Biggie.
“Biggie não queria ir, mas Sean o convenceu a fazer todas aquelas coisas”, alegou Burrowes ao documentário da Netflix.
Assim, Diddy e Biggie compareceram ao Soul Train Music Awards em 7 de março de 1997, onde foram recebidos com vaias da plateia. Aquela seria a única aparição pública antes de Biggie partir em turnê por Londres.
No entanto, na produção da Netflix, Burrowes afirmou que Diddy cancelou a viagem.
Tudo isso porque Sean queria dar uma festa em território inimigo”, disse ele.

Já nas primeiras horas da manhã de 9 de março, Biggie saiu da festa e foi morto a tiros em um ataque de carro — em um cenário parecido com o assassinato de Tupac.
Em Sean Combs: O Acerto de Contas, o ex-detetive do Departamento de Polícia de Los Angeles, Greg Kading, também sugeriu que acreditava que Diddy não havia colaborado na investigação do assassinato de Biggie.
Sean claramente não fez tudo o que poderia para ajudar na investigação. Na verdade, ele atrapalhou a investigação”, afirmou.
“Ele estava meio que obstruindo as pessoas, porque ele sabe que, se você avançar no caso do assassinato de Biggie, você vai avançar no caso do assassinato de Tupac e isso pode levar diretamente a ele.”
Conforme noticiado pela Rolling Stone, a pessoa que atirou em Biggie era um homem negro vestindo um smoking azul e gravata borboleta, mas ninguém jamais foi preso ou acusado pelo assassinato do rapper.