O mistério do “túmulo acorrentado de Murillo”, em Conselheiro Lafaite
Em maio de 1929, acidente marcou a cidade mineira de Queluz (hoje Conselheiro Lafaiete), e deu início a lenda urbana do túmulo acorrentado; entenda!

O dia 29 de maio de 1929 é, até hoje, marcado na história da cidade mineira de Conselheiro Lafaiete (mas que na época era chamada de Queluz). Acontece que às oito horas na noite, a cidade ficou abalada por uma trágica morte: a de Murillo Arcanjo Araújo, que tinha apenas 13 anos.
Mais do que as circunstâncias, a morte de Murillo também chama a atenção pelo surgimento de uma lenda urbana da região. Afinal, o seu túmulo teve que ser acorrentado. Mas o que aconteceu?
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A tragédia
Era por volta de oito horas da noite quando o jovem Murillo Arcanjo Araújo, de apenas 13 anos, caiu da torre da Igreja Matriz. Com a queda, de mais de 20 metros de altura, ele sofreu fraturas no crânio e nos braços. Sua morte foi quase instantânea.
Murillo estava acompanhado de outro garoto, auxiliando o sacristão a dobrar o sino grande para anunciar aos fiéis os atos litúrgicos da procissão de Corpus Christi, que ocorreria no dia seguinte.
Mas quado o sino se movimentou, ele acabou perdendo o equilíbrio e foi arremessado. Segundo relata o Jornal de Queluz da época, o impacto foi tão violento que seu corpo rolou alguns metros, sem que emitisse qualquer som ou movimento.
O episódio também é citado por pelo pesquisador Antônio Luiz Perdigão em seu livro ‘De Villa Real de Queluz a Conselheiro Lafaiete’ (2007), onde escreveu:
“Um sadio menino de treze anos, ele era um dos coroinhas que ajudavam o padre Barreto. Alegre, querido por todos, era uma espécie de líder entre seus colegas. O antigo sino da Matriz era grande e pesado. Havia certas solenidades da igreja em que o sino deveria ser dobrado; isto é, dar uma volta completa dentro da torre…

… Certa noite, após as rezas que se realizavam no mês de maio, Murillo,acompanhado de alguns colegas, sem permissão do padre, resolveu imitar o Marcos, dobrando o sino e depois tentaram pará-lo. Havia uma enorme diferença que ele ignorava; a estatura e a força. Murillo era leve, baixo, braços curtos, e não conseguiu se igualar ao forte Marcos. No momento ele usava uma rodada capa de lã, pois era inverno rigoroso. Quando o sino estava com a boca para cima, em velocidade, Murilo tentou abraçar a parte de madeira; não conseguiu segurá-la e foi lançado para fora da torre, caindo nas pedras do chão. Teve morte instantânea”.
O fato é que após a queda do menino, filho de José Teixeira de Araújo e órfão de mãe, muitas pessoas correram para o local para ajudá-lo. Seu corpo foi levado para a matriz, onde, junto à sacristia, os moradores se reuniram — todos consternados.
O sepultamento aconteceu no dia seguinte, às cinco da tarde, acompanhado por quase toda a população, que prestou sua última homenagem. E foi a partir daí que surgiu a lenda.
O túmulo do menino acorrentado
Murillo está enterrado no Cemitério Nossa Senhora da Conceição (quadra 2, sepultura 33), em um túmulo que possui o formato de uma torre de igreja.
No dia seguinte ao seu sepultamento, a lenda local diz que o sino da igreja passou a tocar diariamente, sempre às 17 horas (no mesmo horário em que o menino foi enterrado), mesmo que esse não fosse um padrão estabelecido pelo padre.
O religioso ainda teria afirmado que ninguém tinha autorização para entrar na torre da igreja e tocar o sino. Além do mais, os relatos apontam que o sino tocava mesmo quando a igreja estava fechada e sem ninguém nos seus arredores.
Assustados, os moradores não sabiam o que fazer para que o barulho cessasse. Reza a lenda que tudo só foi resolvido após o túmulo ser cercado com correntes — algo que permanecesse até os dias atuais.