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Ventos de buracos negros podem explicar radiação cósmica extrema

Estudo aponta que jatos de matéria emitidos por buracos negros supermassivos aceleram partículas a energias inéditas no universo.

Buraco negro
Imagem ilustrativa (Foto: Freepik)

O espaço é um imenso palco de forças invisíveis e fenômenos extremos. Entre eles, a radiação cósmica de energia ultraelevada permanece, há décadas, um dos maiores enigmas da astronomia. Invisíveis aos olhos humanos, essas partículas cruzam o universo em velocidades próximas à da luz, mas têm sua chegada à Terra bloqueada pela atmosfera protetora do planeta.

Agora, segundo o Metrópoles, uma equipe da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia acredita ter encontrado uma resposta convincente para a origem desse fenômeno. O estudo, publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, sugere que os ventos expelidos por buracos negros supermassivos podem ser os responsáveis por impulsionar essas partículas a níveis de energia quase inimagináveis.

Esses ventos são formados quando o buraco negro consome matéria e estrelas próximas, liberando jatos intensos de partículas antes que sejam engolidas pela gravidade. “Acreditamos que a radiação extrema nasce nesses ventos poderosos”, explica a pesquisadora Foteini Oikonomou, autora principal do trabalho.

Os cientistas já sabiam que os buracos negros influenciam o destino das galáxias, interrompendo a formação de novas estrelas. O que o novo estudo mostra é que esses mesmos fluxos podem acelerar prótons e núcleos atômicos a energias de até 10²⁰ elétron-volts — algo difícil até de conceber.

Energia que desafia os limites da física

“Uma única partícula pode carregar tanta energia quanto uma bola de tênis rebatida a 200 km/h”, compara o astrofísico Domenik Ehlert, coautor da pesquisa. Essa força é um bilhão de vezes maior que a gerada pelo Grande Colisor de Hádrons, o mais potente acelerador de partículas da Terra.

Apesar da magnitude, o fenômeno não representa perigo para nós. Ao atingir a atmosfera, essas partículas são destruídas antes de tocar o solo. No espaço, porém, o impacto seria devastador para missões tripuladas. Oikonomou explica que o estudo ajuda a decifrar um dos pontos mais obscuros da física moderna e pode, enfim, iluminar a verdadeira origem da energia cósmica mais poderosa do universo.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli