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Tomografia revelou fóssil de besouros que viveram no Brasil há 113 milhões de anos

Pela primeira vez uma família de besouros ancestrais do Ceará foi descrita em estudo. Fóssil de besouros sobreviveu 113 milhões de anos

Tomografia revelou fóssil de besouros que viveu no Brasil há 113 milhões de anos
Reconstrução e mircro tomografia de fóssil de besouros que viveram no Brasil há 113 milhões de anos - Créditos; Divulgação/INCol

Em um artigo publicado na revista científica Systematic Entomology, no começo do mês de Julho, pesquisadores do Brasil e da Alemanha identificaram uma nova linhagem de besouros que viveu há cerca de 113 milhões de anos

O pequeno inseto foi encontrado na na Bacia do Araripe, na Formação Crato, no Ceará. Na época, pertencente ao o supercontinente Gondwana, que reunia a América do Sul, a África, a Antártida, a Austrália e a Índia há mais de 100 milhões de anos. Assim, a descoberta ajuda a entender o ecossistema da época.

De acordo com o Jornal da USP, o fóssil de besouros pertencia ao acervo do Museu de Zoologia (MZ) da USP. Mas, por estar preso à uma rocha, precisou passou por um processo de micro tomografia computadorizada para poder ser identificado com precisão.

Nesse sentido, a equipe formada por Gabriel Biffi, pesquisador do MZ, do Instituto Tecnológico Vale (ITV), junto de Anderson Lepeco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e de Rolf Beutel, da Friedrich-Schiller-Universität Jena, na Alemanha, trouxe uma inovação tecnológica e histórica para o Brasil.

O fóssil de besouros ancestrais

O local em que foi encontrado já é reconhecido internacionalmente por ser riquíssimo em fósseis do Cretáceo Inferior. No entanto é ainda mais importante por conseguir preservar seres raramente encontrados em outras localidades. Gabriel Biffi, pesquisador do MZ, um dos autores do estudo, explica: 

A primeira coisa que chamou a atenção foi a qualidade da preservação, que possibilitou identificar imediatamente que esses fósseis se tratavam de besouros do grupo dos Archostemata. Fósseis desse grupo eram inéditos na América do Sul”.

De acordo com os cientistas, o fóssil quando foi encontrado, o inseto estava apenas com a superfície dorsal (superior) visível. Por isso, para conseguir ver a parte escondida pela rocha, os especialistas fizeram a micro tomografia computadorizada.

Dessa forma, puderam reconstruir o inseto em 3D e analisar suas características. De maneira que, a identificação que primeiramente acreditava-se encontrar um Cupedidae, mas ao analisar o animal na versão digital, perceberam que era uma família já extinta.

Começamos a mudar de ideia quando fizemos a microtomografia e vimos suas estruturas ventrais, que diferiam das dos Cupedidae. Além disso, as características não se encaixavam em nenhuma família já conhecida de Coleoptera. O estudo filogenético confirmou que se tratava de uma nova família”.

Fato é que a descoberta revelou que esse pequeno grupo já estava espalhado por todo o supercontinente antes mesmo do que os pesquisadores acreditavam. Desse modo, os especialistas afirmam que novas formas de encarar o ecossistema ancestral de Gondwana podem surgir em um futuro próximo.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: