Stephen Lewis, político e ativista social, morre aos 88 anos

Lewis era um diplomata, político, defensor dos direitos humanos e dedicou décadas de trabalho para chamar atenção para a epidemia do HIV

Stephen Lewis - Créditos: Reprodução/Instagram/@hivlegalnetwork

Stephen Lewis, que atuou como embaixador do Canadá nas Nações Unidas, foi chefe do Novo Partido Democrático (NDP), tinha 88 anos e faleceu vítima de câncer.

Além de diplomata, político e defensor dos direitos humanos canadense, ele dedicou seu trabalho para chamar a atenção global para a epidemia de HIV/Aids.

A família de Lewis postou um comunicado se despedindo do diplomata. “Stephen passou os últimos oito anos de sua vida lutando contra o câncer com a mesma energia indomável que dedicou a toda a sua trajetória profissional: a luta incessante por justiça e dignidade para cada vida humana […] O mundo perdeu uma voz de eloquência e integridade incomparáveis”.

O primeiro-ministro, Mark Carney, prestou homenagem a Lewis em um comunicado, o chamando de um pilar de liderança compassiva na democracia canadense e um renomado defensor global dos direitos humanos e do multilateralismo.

Seu filho, Avi Lewis, foi eleito líder do partido progressista NDP federal um dia antes do falecimento de Stephen Lewis. Durante seu discurso ele prestou homenagem ao pai, dizendo que ele não estava muito bem, mas que se mantinha forte no hospital.

“Sempre um fanático por política, meu pai exigia atualizações diárias sobre nossa organização, entregues em seu leito de hospital, uma verdadeira infusão intravenosa de dados de campanha […] Aos 88 anos, ele está mais apaixonado pela promessa do socialismo democrático do que jamais esteve em toda a sua vida.”, disse em seu discurso.

Trajetória

Lewis atuou como líder do NDP de Ontário durante 1970 e 1978 e atuou como líder da oposição de 1975 a 1977.

Ao deixar a política, foi nomeado embaixador do Canadá nas Nações Unidas. Posteriormente, foi nomeado conselheiro especial do secretário-geral da ONU voltado a assuntos africanos e, em seguida, tornou-se vice-diretor da UNICEF e enviado especial da ONU para o HIV/Aids na África.

“Em toda minha vida adulta, não me lembro de ter visto cenas de tamanha desolação humana insuportável; foi de partir o coração”, disse Lewis durante seu primeiro discurso na ONU, em 2006, após ficar abalado com a devastação por doença e pela negligência de nações com meio de ajudar o continente.

Lewis sempre reservou suas críticas para as Nações ricas e as instituições globais que possuem capacidade de pôr fim a grande parte do sofrimento da população.

Em 2011, após países doadores cortarem o financiamento, ele discursou na Universidade de Yale. “Não se trata apenas do fato de que pessoas vão morrer; trata-se do fato de que aqueles que tomaram a decisão sabem que pessoas vão morrer. Como isso é racionalizado?”.

Stephen Lewis cofundou a Fundação Stephen Lewis com sua filha, Ilana Landsberg-Lewis, viajando com frequência para países da África que foram gravemente afetados por pandemias.

Durante a pandemia da COVID-19, o diplomata solicitou que Nações como o Canadá reconhecessem a necessidade da equidade no acesso às vacinas e criticou o governo por acessar doses de um fundo internacional de compartilhamento de vacinas. Em 2021, durante uma entrevista ele afirmou que sempre ficou claro desde o início que essa não era uma fonte de vacinas para os países ricos e abastados do mundo.

Lewis recebeu 42 títulos honorários, um dos maiores números entre os canadenses. Em 2002, foi condecorado com a Ordem do Canadá, a mais alta honraria do país, afirmou o The Guardian.