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Prêmio Nobel errado? Veja as descobertas que o tempo desmentiu

Descobertas celebradas como marcos científicos em 1926 e 1949 acabaram se revelando equívocos, mas o Comitê Nobel mantém os prêmios

Centro Nobel da Paz, na Noruega - Getty Images

O Prêmio Nobel é considerado o maior reconhecimento da ciência mundial — uma consagração reservada a descobertas que transformam o entendimento humano sobre a vida, o universo e o progresso. No entanto, nem sempre o prestígio vem acompanhado da perenidade. Em duas ocasiões, a Medicina concedeu o Nobel a trabalhos que, com o passar dos anos, se mostraram equivocados.

Em 1926, o fisiologista dinamarquês Johannes Fibiger foi celebrado por ter “provado” que um verme causava câncer em ratos. A comunidade científica recebeu a notícia com entusiasmo, acreditando que o pesquisador havia desvendado uma das maiores questões médicas da época: a origem do câncer.

Anos depois, contudo, a euforia deu lugar à decepção. Novas análises mostraram que os ratos estudados por Fibiger não tinham câncer, mas sim lesões no estômago provocadas pela deficiência de vitamina A — uma condição agravada pela presença do verme. O que se acreditava ser um tumor maligno era, na verdade, um erro de diagnóstico causado por limitações técnicas e pelo conhecimento científico ainda incipiente.

Lobotomia

Em 1949, o neurologista português António Egas Moniz recebeu o Prêmio Nobel de Medicina por desenvolver a lobotomia, uma cirurgia cerebral destinada a tratar doenças mentais como a depressão e a esquizofrenia. O procedimento, que consistia em cortar conexões entre áreas do cérebro, foi amplamente adotado em hospitais psiquiátricos pelo mundo.

Durante alguns anos, a lobotomia foi vista como um avanço promissor no tratamento de transtornos mentais graves. Contudo, os resultados reais logo começaram a se mostrar alarmantes. Muitos pacientes sofriam graves sequelas cognitivas e emocionais, perdendo parte de sua personalidade e autonomia. Com o avanço da psicofarmacologia e o surgimento de antidepressivos e antipsicóticos, o método foi rapidamente abandonado — e passou a ser considerado antiético e desumano.

Por que não anulam?

Apesar das revisões históricas e das evidências de erro, o Comitê Nobel optou por não anular os prêmios concedidos a Fibiger e Moniz. A justificativa é que as decisões refletem o estado do conhecimento científico de seu tempo, e que julgar o passado à luz de descobertas posteriores seria injusto.

Assim, segundo o UOL, esses casos permanecem como lições sobre os limites e as incertezas da ciência. O Nobel, embora símbolo máximo de prestígio, também carrega a lembrança de que o saber humano é sempre provisório — e que até as maiores honrarias podem, eventualmente, se tornar lembranças de equívocos históricos.